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Notícias Governo traça estratégia para minar CPI do BNDES

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Para o Planalto, investigação no BNDES faria mais estragos que a CPI da Petrobras. (Foto: Rafael Andrade/Folhapress)

O governo federal avalia que a CPI do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), anunciada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),  tem potencial para provocar mais estragos que a da Petrobras. Alegando risco de prejuízos econômicos, o Planalto já trabalha para esvaziar a investigação.

A avaliação foi feita em reunião da presidenta Dilma Rousseff com ministros da coordenação política. Na tentativa de obter maior controle sobre as investigações, o governo trabalhará para que a comissão seja mista, envolvendo não só deputados – muitos dos quais sob orientação de Cunha – mas também senadores. Em conversas reservadas, auxiliares de Dilma acreditam que até mesmo os empresários, financiadores de campanha, atuarão para esvaziar a CPI. Tentar pacificar as relações com o Congresso durante o recesso também está nos planos.

Rompido com o governo desde que o delator da Operação Lava-Jato Júlio Camargo o acusou de ter cobrado propina de 5 milhões de dólares, Cunha quer pôr o PMDB na presidência e na relatoria da CPI do BNDES, o que preocupa o Planalto.

Para piorar, o governo sabe que Cunha e a oposição tentarão constranger o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na CPI e temem o agravamento da crise. Na semana passada, a Procuradoria da República no Distrito Federal abriu investigação contra o petista, acusando-o de tráfico de influência.

A suspeita levantada pelo Ministério Público é a de que Lula, após deixar a Presidência, tenha usado seu poder para facilitar obras da Odebrecht em países da África e da América Latina, com financiamento do BNDES. Em nota, o Instituto Lula disse que o procedimento aberto contra ele é “irregular, intempestivo e injustificado”. “Não há possibilidade de ingerência política no BNDES”, afirmou Luciano Coutinho, presidente do banco. (AE)

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