Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 4 de agosto de 2026
O governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, dias após o Itamaraty negar o visto a funcionários americanos que viriam ao País questionar as eleições. Um porta-voz do Departamento de Estado disse que a medida será cancelada se o Brasil conceder aval para que o representante indicado pelos EUA, Daniel Perez, assuma suas funções como novo embaixador em Brasília.
O procedimento é conhecido como agrément. A principal preocupação por parte de Brasília era que Perez atuasse para interferir na eleição presidencial, marcada para outubro.
Repúdio
O governo brasileiro repudiou a revogação do visto da embaixadora nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.
O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. “O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas”.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil. Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.
O pedido norte-americano, acrescenta a nota, ainda está em análise. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément”, destacou.
Embora tenham se passado mais de 30 dias desde a solicitação do agrément ao Brasil, o processo da nomeação de Perez se arrasta nos EUA por mais tempo: são mais de dois meses desde que Trump anunciou seu nome —e, até então, o Senado americano ainda não votou sua nomeação em plenário, passo necessário para que se torne embaixador.
O caso da revogação do visto de Viotti também difere da forma como a diplomacia americana age tradicionalmente: essa medida costuma ser tratada por Washington como acessória à declaração de persona non grata, e não como instrumento autônomo.
De maneira pouco clara, o porta-voz da diplomacia americana disse que Viotti não será expulsa dos EUA —ela permanecerá no país sem visto válido, o que, na prática, impede a diplomata de cumprir suas funções. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro não respondeu a pedidos de comentário até a mais recente atualização deste texto.
O porta-voz do Departamento de Estado afirmou ainda que novas sanções contra o Brasil não estão descartadas. Na mesma declaração, disse que o governo brasileiro teria sinalizado que o agrément de Perez só seria concedido após as eleições presidenciais, o que considera inaceitável. Também reiterou que, embora Estados Unidos e Brasil mantenham uma relação importante, Washington responderá de forma recíproca caso o governo brasileiro impeça autoridades americanas de desempenhar seu trabalho.
Além da imprensa, participaram da entrevista coletiva, realizada virtualmente, Paulo Figueiredo, aliado próximo da família Bolsonaro, e o blogueiro Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira.
No anúncio, o porta-voz citou o histórico de problemas entre os dois países ao longo dos anos. Entre eles, o fato de que Darren Beattie, conselheiro sênior para o Brasil, teve o visto negado —segundo o porta-voz, ele participaria de um evento sobre minerais críticos.
Também citou os vistos dos membros do Departamento de Estado, negados na semana passada por suspeita de interferência no processo eleitoral do Brasil.
O chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio, é um forte crítico da esquerda latino-americana e já confrontou o governo Lula em diferentes ocasiões. Logo após o anúncio do USTR (Escritório do Comércio dos EUA) de um novo tarifaço contra o Brasil, ele publicou nas redes sociais que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”.
“Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, disse Rubio.
Meses antes, ele havia classificado o Brasil num rol de países que não são amigáveis aos Estados Unidos.
Os EUA solicitaram autorização ao Brasil para nomear Perez um mês depois de a Casa Branca tornar pública sua indicação. Ao agir dessa forma, romperam com a prática tradicional, segundo a qual o país que envia o embaixador consulta previamente a nação anfitriã e aguarda sua manifestação antes de oficializar a indicação.
O gesto provocou incômodo no Palácio do Planalto. Integrantes do governo Lula afirmam que não há pressa para conceder o agrément, já que, na avaliação deles, Washington optou por divulgar o nome antes de cumprir os trâmites normalmente observados nesses casos.
Por trás da justificativa de aliados de Lula está o receio de que Perez tenha uma atuação política durante as eleições presidenciais de outubro.
Perez teve sua indicação aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e deve ser submetido ao plenário ainda nesta semana.
No fim de julho, o Departamento de Estado tentou enviar ao Brasil dois integrantes de sua equipe para discutir temas como liberdade de expressão e o processo eleitoral. O caso foi revelado pelo jornal The Washington Post.
A visita foi interpretada pelo Planalto como uma tentativa de interferência nas eleições, sobretudo por ocorrer poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência, voltar a fazer críticas ao sistema de urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores —mais recentemente, Flávio disse acreditar que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) agirá de forma imparcial no pleito.
A interpretação do governo brasileiro foi criticada pelo Departamento de Estado. Em nota, o governo Trump afirmou que tratava-se uma visita programada a Brasília entre os dias 27 e 30 de julho para reuniões com autoridades do governo, líderes religiosos e representantes da sociedade civil “a fim de discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão”.
“Qualquer insinuação de que essa viagem seria uma ‘manobra’ para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem qualquer fundamento.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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Interessante, o governo brasileiro repudiou o cancelamento do visto da embaixadora, mas não concedeu visto para dois americanos do governo Trump para visitarem o Brasil, o lule que tanto fala em reciprocidade deve aceitar também quando os outros países adotarem a tal da reciprocidade. Alguém de sã consciência poderia esperar outra atitude dos EUA ? O Lula vive criticando o Trump e o secretário do Trump, porque eles aceitariam pacificamente serem subjugados por alguém sem poder nenhum? Será que não havia ninguém no governo para dizer ao presidente para parar de criticar o Trump que era ruim para o Brasil?… Leia mais »