Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020

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Mundo Grandes bancos giram 2 trilhões de dólares suspeitos

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A economia global deverá contrair em US$ 7 trilhões em 2020 como resultado da pandemia. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Documentos secretos do governo dos Estados Unidos revelam que o JP Morgan Chase, o HSBC e outros grandes bancos desafiaram repressões contra a lavagem de dinheiro, transferindo quantias vultosas de origem ilícita para contas obscuras e redes criminosas que “espalharam o caos e minaram a democracia em todo o mundo”, aponta megainvestigação internacional que envolveu mais de 400 jornalistas, de 88 países e 110 meios de comunicação, incluindo do Brasil.

As informações estão na página do Consortium of Investigative Journalists (ICIJ) – Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Ao todo, concluiu análise do ICIJ, os documentos identificam mais de US$ 2 trilhões em transações entre 1999 e 2017 que foram sinalizadas por oficiais das instituições financeiras como possível lavagem de dinheiro ou outra atividade criminosa – incluindo US$ 514 bilhões no JPMorgan e US$ 1,3 trilhão no Deutsche Banco.

Os registros se referem a clientes de bancos em mais de 170 países. Por essa razão, o ICIJ coordenou uma rede de 400 jornalistas de 110 veículos em 88 países para investigar as operações suspeitas.

No Brasil, participam do projeto Época, a revista Piauí e o site Poder360. Entre outros países, estão o jornal francês Le Monde, a rede inglesa BBC e o argentino La Nación.

O site BuzzFeed News obteve os documentos sigilosos e os compartilhou com o ICIJ, a maior rede de colaboração de jornalistas investigativos do mundo, responsável por reportagens como o Panamá Papers e Bribery Division.

A apuração partiu do vazamento de documentos secretos de braço do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos – a Fincen (Rede de Combate aos Crimes Financeiros).

Segundo as informações compartilhadas pelo ICIJ , registros mostram que cinco bancos globais – JPMorgan, HSBC, Standard Chartered Bank, Deutsche Bank e Bank of New York Mellon – “continuaram lucrando com players poderosos e perigosos, mesmo após autoridades dos EUA multarem essas instituições financeiras por falhas anteriores em conter os fluxos de dinheiro sujo”.

“As agências norte-americanas responsáveis pela aplicação das leis de lavagem de dinheiro raramente processam megabancos que violam a lei, e as ações que as autoridades tomam mal afetam a enxurrada de dinheiro saqueado que se espalha pelo sistema financeiro internacional”, aponta o Consórcio  Internacional de Jornalistas Investigativos, em sua página.

Em alguns casos, os bancos continuaram movimentando fundos ilícitos mesmo após serem advertidos por autoridades americanas de que enfrentariam processos criminais, “se não parassem de fazer transações com mafiosos, fraudadores ou regimes corruptos”. Segundo o site, o JPMorgan, maior banco com sede nos Estados Unidos, movimentou dinheiro para pessoas e empresas vinculadas ao saque maciço de fundos públicos na Malásia, Venezuela e Ucrânia, revelam documentos vazados.

“O banco movimentou mais de US $ 1 bilhão para o financista fugitivo por trás do escândalo do 1MDB na Malásia, mostram os registros, e mais de US $ 2 milhões para uma empresa de um jovem magnata da energia que foi acusado de enganar o governo da Venezuela e ajudar a causar apagões elétricos que paralisaram grande parte do país”, diz o site.

De acordo com o consórcio, o JPMorgan também processou mais de US$ 50 milhões em pagamentos ao longo de uma década para Paul Manafort, o ex-gerente de campanha do presidente Donald Trump. “O banco movimentou pelo menos US$ 6,9 milhões em transações em Manafort nos 14 meses após sua renúncia da campanha em meio a uma onda de lavagem de dinheiro e acusações de corrupção decorrentes de seu trabalho com um partido político pró-russo na Ucrânia”, aponta o consórcio.

Em resposta à reportagem da Época, o JPMorgan declarou que está legalmente proibido de falar sobre clientes ou transações. A instituição disse que assumiu um “papel de liderança” na busca de “investigações proativas lideradas por inteligência” e no desenvolvimento de “técnicas inovadoras para ajudar a combater o crime financeiro”.

A revista diz na reportagem que, em 2012, o HSBC assinou com a promotoria o chamado acordo diferido, de suspensão da ação penal, e admitiu ter lavado pelo menos US$ 881 milhões para cartéis de drogas latino-americanos.

Pelo acordo, o HSBC pagou US$ 1,9 bilhão. Em contrapartida, o governo concordou em suspender as acusações criminais contra o banco e arquivá-las após cinco anos se o HSBC cumprisse a promessa de combater o fluxo de dinheiro sujo.

Durante esse período probatório de cinco anos, conforme mostram os FinCEN Files, o HSBC continuou a movimentar dinheiro para personagens questionáveis.

Ainda assim, o governo permitiu que o HSBC anunciasse em dezembro de 2017 que havia “cumprido todos os seus compromissos” sob o acordo — e que os promotores estavam descartando em definitivo as acusações criminais.

Em declaração ao ICIJ, o HSBC se recusou a responder a perguntas sobre clientes ou transações específicas. O HSBC disse que as informações do ICIJ são “históricas e anteriores” ao fim de seu acordo de cinco anos no processo adiado.

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