Sábado, 11 de Julho de 2020

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Brasil Grandes empresários ainda preferem evitar impeachment

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A presidenta Dilma Rousseff afastada: "sairá mais caro", dizem empresários. (Foto: Fábio Motta/AE)

Por trás das manifestações de empresários contrários ao impeachment da presidenta Dilma, há o tradicional pragmatismo da classe. Acostumada a fazer contas, parte do empresariado já calculou que sairá mais caro para a economia e seus negócios o longo e traumático processo par a afastá-la da presidência, sem muita certeza dos resultados de quem ficaria em seu lugar. Para muitos, poderá ser pior que um governo medíocre por mais de três anos.

A coluna Mercado Aberto, da Folha de S.Paulo, ouviu banqueiros, de instituições nacionais e estrangeiras, empresários e altos executivos de grandes companhias. Mesmo resguardada pelo compromisso de não publicar seus nomes, uma boa parte deles afirma não ver, por ora, razões concretas para o impedimento.

Não que não tenham críticas ao desempenho da presidenta. Alongam-se na enumeração de seus erros cometidos durante o primeiro mandato, além das mentiras para se reeleger. Dependendo do setor, condenam também algumas das medidas do ajuste fiscal, que outros consideram inevitável. “O ajuste é necessário, mas doloroso para as empresas, que serão oneradas e têm de demitir, e ainda levará tempo para surtir efeito”, disse um banqueiro. Muitos desejam o que classificam logo como utopia: a renúncia da presidenta Dilma, que provocaria menos traumas.

Novas eleições, na possibilidade de afastamento também do vice-presidente Michel Temer – embora hoje pareça ser o cenário menos provável – é sonho recorrente em parte do “andar de cima”. “Mas de quatro a seis meses de incerteza, seria péssimo”, adverte outro banqueiro. “Afastar a Dilma, jogaria o PT na oposição, reclamando de golpe ”, completa. “E com [o presidente da Câmara, Eduardo] Cunha, no comando do País”, concorda um industrial.

“O processo do impeachment seria o pior período. Você não sabe se terá Exército do Stédile [do MST] na rua – o dólar vai a 4 reais”, estima um executivo de banco. A permanência de Temer também não empolga representantes de alguns setores. “Não conseguiu convencer seu partido a aprovar o ajuste. Por que o faria depois?”, questiona um empresário. “O mercado preferiria ficar onde está”, diz o diretor de um banco. “Com a máquina na mão, o PMDB poderia obter a reeleição”, adverte outro.

O presidente de um banco estrangeiro relata um encontro na semana retrasada com o setor imobiliário – “a maioria a favor do impeachment”. Continuarão depois do aceno do governo de mais crédito de bancos públicos? “Tudo muda a cada semana”, respondeu. (Folhapress)

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