Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 11 de junho de 2026
A Guerra da Ucrânia é frequentemente comparada à Primeira Guerra Mundial devido aos seus ataques brutais de infantaria e ao elevado número de baixas. No entanto, a ideia de que ela pudesse, sob qualquer ponto de vista, superar um conflito tão longo e sangrento que os soldados franceses esperavam que fosse “o último dos últimos” parecia, um dia, impensável.
Foi exatamente isso que aconteceu nesta quinta-feira (11). A guerra na Ucrânia —que chegou a 1.569 dias, ou mais de quatro anos e três meses — já durou mais do que a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Quando o presidente Vladimir Putin, da Rússia, enviou suas tropas para a Ucrânia em fevereiro de 2022, ele acreditava que o país cairia em poucos dias. Depois que a Ucrânia repeliu os russos e o conflito se transformou em uma guerra de desgaste, mesmo muitos dos combatentes não podiam imaginar que duraria tanto tempo.
“Achei que talvez durasse dois ou três anos, e então os políticos chegariam a algum tipo de consenso”, disse um soldado ucraniano que, por motivos de segurança, revelou apenas seu apelido, France, uma referência ao tempo que passou na Legião Estrangeira Francesa.
Mas a guerra continua violenta e, com as negociações de paz paralisadas, não dá sinais de que terminará em breve. Pesquisas sugerem que cerca de metade dos ucranianos acredita que ela não terminará antes do ano que vem, o que a aproximaria de outro marco: a duração da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que levou seis anos. E há muitos ucranianos que argumentariam que a guerra atual realmente começou em 2014, quando as tropas russas tomaram a Crimeia.
Os historiadores alertam que traçar paralelos com as duas guerras mundiais tem suas limitações. A escala global desses conflitos, envolvendo diversos teatros de operações e Exércitos, dificulta as comparações em termos de baixas e poder de fogo. A Ucrânia não existia como país durante a Primeira Guerra Mundial.
Ainda assim, a Guerra da Ucrânia, assim como a Primeira Guerra Mundial, provavelmente figurará entre os conflitos de maior impacto na história moderna da Europa, afirmou Yaroslav Hrytsak, historiador ucraniano. Ambas as guerras transformaram a geopolítica do continente ao redefinir alianças militares e impulsionar um aumento do poderio de defesa sem precedentes nas últimas décadas.
Analistas militares também observam que ambos os conflitos redefiniram a natureza da guerra por meio da introdução de novas tecnologias —aviões e tanques há um século; drones no ar, no mar e em terra hoje. Em ambos os casos, os avanços tornaram a guerra ainda mais brutal para os seres humanos.
“Em muitos aspectos, esta guerra na Ucrânia é a que mais se assemelha à Primeira Guerra Mundial”, disse Michel Goya, ex-coronel francês e historiador militar.
A comparação começa com a fase inicial de ambas as guerras. Em 1914, os alemães lançaram uma ofensiva rápida em direção a Paris na esperança de garantir uma vitória rápida. As forças russas tinham o mesmo objetivo quando avançaram em direção a Kiev, capital da Ucrânia, em 2022. Em ambos os casos, os atacantes chegaram perto de seu alvo, mas acabaram sendo repelidos.
Por fim, ambas as guerras se transformaram em combates essencialmente estáticos ao longo de uma frente praticamente congelada. Quando os soldados no campo de batalha ucraniano se entrincheiraram em trincheiras e bunkers no final de 2022, os historiadores descreveram isso como um retorno à guerra de trincheiras ao estilo da Primeira Guerra Mundial.
Cenas das trincheiras do leste da Ucrânia ecoavam de perto as do norte da França um século antes. Tropas ucranianas e russas estavam frequentemente separadas por apenas algumas centenas de metros, às vezes próximas o suficiente para se verem. Os ataques começavam com barragens de artilharia para imobilizar o adversário, seguidas pela investida de esquadrões de infantaria contra as trincheiras inimigas.
“Em geral, quando a frente congela, você volta à Primeira Guerra Mundial”, disse Goya.
Em ambas as guerras, acrescentou ele, foi a intensidade do poder de fogo, principalmente da artilharia, que forçou os Exércitos a recorrer às trincheiras. “Você se enterra para se proteger”, disse ele. (As informações são da Folha de S. Paulo)
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