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Economia Guerra no Irã: entenda como o conflito afeta o bolso dos brasileiros

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Economistas apontam que efeitos vão além da alta dos combustíveis. (Foto: Reprodução)

A guerra no Oriente Médio já começa a pesar no bolso do brasileiro, e o cenário pode piorar. Segundo o Ministério da Fazenda, um conflito prolongado, com danos à infraestrutura de petróleo e interrupções no transporte, pode elevar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,6% para 3,7%. A reportagem conversou com especialistas para entender as consequências no cotidiano da população e como se preparar para a alta dos preços.

De acordo com dados divulgados em no dia pela Secretaria de Política Econômica (SPE), além do aumento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a estimativa é de que a cotação média do petróleo por barril passe de US$ 65,97 para US$ 73,09, uma alta de cerca de 10,8%. Por outro lado, a projeção para a taxa de câmbio média do dólar em 2026 caiu de R$ 5,43 para R$ 5,32, o que ajuda a moderar o impacto inflacionário. A pasta manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano em 2,3%.

O gestor financeiro Marlon Glaciano explica a importância do petróleo na economia nacional e como a variação de preço afeta outros setores.

“O impacto chega pelo petróleo, que é um preço global e sensível a conflitos. Quando ele sobe, o Brasil sente primeiro no combustível e, com algum atraso, no custo de transporte e de vários produtos”, aponta. “Os primeiros sinais já aparecem nas expectativas de inflação, ainda de forma moderada, mas indicando uma pressão que tende a se consolidar se o cenário persistir.”

Glaciano pontua que as áreas mais impactadas são as de transporte, logística, alimentos e indústrias, “que dependem de energia ou derivados de petróleo”. Mas os efeitos do conflito são ainda mais abrangentes. Na prática, diz o gestor financeiro, “qualquer setor que dependa de deslocamento ou tenha custos relevantes com combustível acaba sendo afetado com mais intensidade”.

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã, desencadeando um conflito que rapidamente se espalhou por todo o Oriente Médio.

O Conselho da Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI) se manifestou por meio de nota:

“Como ocorre em qualquer guerra no Oriente Médio, poderá haver impactos sobre cadeias produtivas, como a do petróleo e seus derivados, gás natural e de transporte. As tensões na região criam volatilidade nos mercados globais com consequências diretas para a economia brasileira”.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por sua vez, destacou que “solicitou, na terça (10), ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) a redução imediata e temporária das alíquotas de tributos federais e estaduais incidentes sobre a importação, produção, distribuição e comercialização do óleo diesel”.

“O momento é particularmente sensível para o setor agropecuário, marcado pelo plantio e pela colheita da segunda safra, período em que o custo do combustível tem efeito direto sobre as despesas de produção e sobre a atividade econômica”, explicou o presidente da CNA, João Martins.

Aumento 

Embora os primeiros sintomas já sejam sentidos pelos consumidores, as incertezas sobre as consequências do conflito são grandes. Ronaldo Werneck, especialista em comércio internacional, enfatiza que ainda é cedo para falar em um aumento amplo dos preços.

“Eu acho que ainda não dá para dizer que será generalizado. Isso vai depender muito da duração da guerra. Se o conflito se prolongar, aí sim o impacto tende a se espalhar de forma mais ampla. Mas, por enquanto, ainda existe muita incerteza”, observa.

Já a advogada tributarista Mary Elbe Queiroz, presidente do Centro Nacional para a Prevenção e Resolução de Conflitos Tributários (Cenapret) e sócia do Queiroz Advogados, afirma que a alta do petróleo afeta diretamente os tributos sobre o consumo.

“A elevação do petróleo e do câmbio tem reflexo direto na base de incidência de tributos sobre o consumo. Quando o preço sobe, a carga tributária acompanha, ainda que não exista aumento formal de alíquota. Isso gera um efeito arrecadatório automático e pode pressionar empresas com margens já comprimidas”, explica.

Segundo ela, setores intensivos em logística e energia tendem a sentir primeiro o impacto, mas a repercussão se espalha por toda a cadeia produtiva. (Com informações do jornal O Globo)

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