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Carlos Roberto Schwartsmann Hermanos e Messi

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Acho que, no final da história, o mais prejudicado foi Messi.(Foto: Reprodução/Olé)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Há 4 anos, escrevi um artigo pós-Copa do Mundo de futebol, quando a Argentina foi campeã.

O título foi: “Parabéns, Hermanos”.

Assisti a esta final (França e Argentina) na Austrália, em plena madrugada. Confesso que torci muito pelos vizinhos.

O que mais me motivou a torcer foi o fato de o país, naquela ocasião, estar à beira de um colapso financeiro e social. O dólar estava nas alturas e a pobreza tinha alcançado 40% da população. A Calle Florida estava vazia e triste. Existia fila, no final do dia, para os portenhos receberem gratuitamente os ossos nas carnicerias.

Como o país mais desenvolvido da América Latina tinha despencado tanto?!

Hoje, 4 anos depois, a Argentina vive um novo cenário de ajuste econômico. Inflação controlada e o PIB crescendo 3% ao ano.

Ao iniciar esta Copa, logicamente, depois do Brasil e depois de Portugal, de Cristiano Ronaldo, iria torcer novamente pelos Hermanos.

Entretanto, com a evolução da competição, todos perceberam que a Argentina, mesmo com raça e brio, veio para praticar o antifutebol. Exagerou no número de faltas e jogadas desleais. Por falta de punições, foi acusada até de protecionismo pela arbitragem!

Acho que, no final da história, o mais prejudicado foi Messi. Não atingiu sua pretensão de ser o maior artilheiro das Copas. Promoveu várias atitudes antidesportivas. Não respondeu ao cumprimento de Vozinha, goleiro de Cabo Verde. Foi flagrado em faltas simuladas. Ainda, Messi solicitou ao árbitro que penalizasse o espanhol Cucurella por tapar a boca enquanto conversavam. Devido aos vários tipos de ofensas entre os atletas, a FIFA pretende punir com rigor esse tipo de atitude. Ambos foram atletas do Real Madrid e são velhos conhecidos. Messi tentou “cavar” a expulsão do jogador espanhol.

Viveu desde os 13 anos, por 21 anos, na Espanha. Nesta etapa da vida, não era bem visto pelos argentinos, que adoravam Maradona. Depois que conquistou a idolatria no país natal, agora não é mais bem visto pelos espanhóis.

Ainda, como capitão, foi líder da atitude vergonhosa de os jogadores argentinos virarem as costas para o palco durante a cerimônia de entrega do troféu aos campeões. Faltaram ética e espírito esportivo.

Mas, pior que os atletas, foram os torcedores argentinos, que foram flagrados diversas vezes com comentários e atitudes racistas, principalmente contra os africanos. Foi a única equipe do Mundial que não tinha jogador negro!

Ainda misturaram desporto com política e desafiaram os ingleses com faixas: “As Malvinas são nossas!!!”

Acho que agora, finalizada a Copa, os jogadores e torcedores argentinos devem mergulhar numa reflexão: o que podemos fazer para que os latino-americanos e o resto do mundo gostem um pouquinho mais de nós? Nós admiramos vocês! A Argentina já ganhou 5 prêmios Nobel, nos deu o tango, um papa, Maradona e Messi. Não se esqueçam de que ainda somos Hermanos!!!

Somos latinos, gaúchos oriundos da República Cisplatina.

* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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