Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Histórico de dívidas perde importância para obtenção de crédito junto ao Serasa

Compartilhe esta notícia:

Pontuação que indica o risco de inadimplência de uma pessoa passa a considerar mais hábitos correntes de bom pagador. (Foto: Shutterstock/Reprodução)

O Serasa anunciou mudanças na metodologia de cálculo do “score” de crédito, nota que a instituição atribui ao risco de crédito de uma pessoa. A nota tem variação de zero a mil pontos – quanto mais baixa, maiores as chances de inadimplência. Batizado Serasa Score 2.0, ele passa a dar mais peso ao comportamento recente do consumidor como pagador, no lugar do seu histórico de dívidas.

“No último ano o mercado financeiro mudou muito”, disse o diretor de Produtos do Serasa, Lucas Lopes, em videoconferência. Nesse cenário, a instituição decidiu adaptar sua métrica.

O score de crédito é utilizado pelas instituições financeiras na hora de decidir se concedem ou não um empréstimo a alguém, e também ao definir as taxas de juros que serão cobradas.

O chamado “Cadastro Positivo” ganhou importância no cálculo, que passou a incluir dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), tornando as informações mais precisas. O Cadastro Positivo é um banco de dados com o histórico de operações financeiras e dívidas de um indivíduo. Os dados são repassados pelas instituições financeiras aos birôs de crédito.

Na nova metodologia, o peso no cálculo do item “pagamento de crédito” passou de 13,9% para 43,6%. Já “tempo de uso de crédito” subiu de 8,4% para 10,1% e “crédito contratado”, de 3,6% para 7,9%. Na outra mão, o “histórico de dívidas” teve o peso reduzido de 30,2% para 13,7%; e “pagamento de dívidas”, de 26,5% para 5,5%.

Ocorreram mudanças também nas faixas de pontuação. É considerado “muito bom” o score de 701 a 1000 pontos – antes a faixa ia de 800 a 1000. O score “bom” vai de 501 a 700, ante 600 a 800 anteriormente. O “regular” vai de 301 a 500, contra 400 a 600 no modelo antigo, e o “baixo” vai de 0 a 300 – ia de 0 a 400 na versão anterior.

As mudanças passam a valer nesta quarta, e as novas pontuações estarão disponíveis para 100% das empresas que consultam o Serasa para concessão de crédito. Para os consumidores, as novidades também já começam a aparecer no aplicativo da instituição para dispositivos móveis, e nas próximas semanas serão expandidas para outros canais, como o site.

O birô de crédito anunciou ainda que esta semana vai disponibilizar um manual do score para download pelos usuários. “Vamos explicar o que compõe o score e por que a nota teve alteração”, afirmou Lopes.

Segundo ele, a mudança torna o score mais preciso para a concessão de crédito. Até agora, o score analisava os comportamentos negativos: se o consumidor já teve o nome sujo, se pagou ou deixou de pagar dívidas. “Hoje há mais informações para análise de hábitos. Consigo ver mensalmente quais contas a pessoa paga, se paga em dia, entre outros”, destacou Lopes.

No modelo antigo do score, a mera existência de uma dívida deixada em aberto há dois anos teria um grande peso, mesmo se de lá para cá a pessoa tivesse quitado o débito – o que dificultaria a obtenção de crédito. No novo modelo, o histórico recente de bom pagador tem peso maior. “Pagar tudo em dia faz a diferença”, observou Lopes.

Ou seja, quem paga suas despesas correntes em dia terá um score maior do que quem adia, mesmo que isso não implique em calote. Quem faz o pagamento mínimo no cartão de credito, por exemplo, terá uma pontuação menor do que quem paga a fatura integralmente.

Outras variáveis que influenciam são a frequência de uso do cheque especial e uso ou não de crédito. Quem ultrapassa mais o limite da conta pode oferecer mais risco, e quem nunca tomou crédito oferece menos informações para o cadastro. Lopes informou que não houve uma mudança significativa no total do banco de score do Serasa, mas, em geral, ocorreu um aumento na pontuação.

O diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, responsável pela área de Estudos e Pesquisas, avalia como positivas as mudanças. “Era uma atualização necessária”, destacou.

Segundo Oliveira, a metodologia antiga dava muito peso à inadimplência. Uma dívida não paga ou atrasada no passado bastava para a pessoa receber uma pontuação baixa, mesmo que posteriormente tivesse passado a honrar seus compromissos com pontualidade. Com o uso do Cadastro Positivo, se o indivíduo arca regularmente com suas obrigações, consegue uma nota melhor, mesmo que tenha o “nome sujo” por algum problema antigo.

“Muitas vezes o sujeito é bom pagador, mas teve algum problema eventual, ficou desempregado, por exemplo. É uma avaliação mais correta”, declarou Oliveira. “Isso tem sido feito no mundo inteiro”, acrescentou. Ele acredita que outros birôs de crédito vão seguir o exemplo do Serasa e passar a considerar o Cadastro Positivo e não somente os dados negativos.

tags: em foco

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Mulher de 77 anos que assinou termo recusando vacina morre de covid no Rio Grande do Sul
Instituto Butantan afirma que não há necessidade de terceira dose da CoronaVac em idosos
Pode te interessar