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Saúde Home office a longo prazo gera alerta para a incidência de doenças; entenda

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(Foto: Reprodução)

O home office tem se tornado o modelo de trabalho mais aderido pela maioria das empresas, uma vez que é considerado prático, reduz custos e durante a pandemia da Covid-19, serviu como uma das maneiras de prevenção contra o vírus.

Não é à toa que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), registrou cerca de 7,3 milhões de brasileiros que trabalham remotamente, com 9,1% da população ocupada e não afastada.

Apesar da praticidade de ser possível fazer da casa um escritório, esse modelo de trabalho pode causar complicações físicas e mentais envolvendo diversas áreas do corpo.

Para esclarecer o assunto, alguns especialistas levantaram quais são as regiões do corpo que mais sofrem com o home office e os motivos desse tipo de desconforto.

Visão

A exposição por longos períodos a monitores está entre as principais mudanças de hábitos adotadas no trabalho à distância. Segundo o Dr. Victor Cvintal, oftalmologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, essa prática pode levar a determinadas repercussões oculares.

“A utilização dos monitores leva a uma eventual diminuição na frequência do piscar dos olhos e isso pode acarretar uma instabilidade da qualidade de visão”, adiciona o Dr. Cvintal.

Além disso, quando utilizados por períodos prolongados, estes dispositivos podem, até mesmo, alterar determinados aspectos da visão como a capacidade de enxergar de perto e, nas crianças, estimulam a miopia.

É importante lembrar que a posição do monitor é fundamental para a saúde ocular: a pessoa deve estar sentada a um braço de distância, com o monitor ligeiramente abaixo da linha dos olhos, e seu brilho não deve competir com a luz ambiente.

Ergonomia e sedentarismo

A falta de atividades físicas e a adoção de determinadas posições inadequadas no trabalho à distância também são fatores que levantam certa preocupação em relação aos cuidados durante o home-office.

O cenário pandêmico eliminou temporariamente a necessidade de locomoção ao trabalho que, para muitos, envolvia breves caminhadas que contribuem para a manutenção do sistema musculoesquelético.

De acordo com o ortopedista Renato Sorpreso, além da extinção destes pequenos momentos de atividade física, a utilização de ambientes residenciais como escritório gera situações ergonomicamente desfavoráveis.

“A posição sentada é a mais adotada nos ambientes de trabalho, porém a manutenção prolongada deste hábito ocasiona a adoção de posturas inadequadas e a sobrecarga de determinadas estruturas corporais, o que pode levar à dores no pescoço, lombar, dorsal, braço, antebraço, mãos, entre outras regiões.

Para prevenir esse possível mal-estar e compensar a falta de exercício, o Dr. Sorpreso recomenda a adoção de uma rotina de atividades físicas na proporção de 5 a 7 dias por semana, acumulando 210 a 400 minutos no período indicado.

Alimentação

Quando o assunto é a alimentação durante o trabalho à distância, surge um alerta em relação ao consumo excessivo de determinados tipos de carboidrato. Os chamados carboidratos simples, que incluem mel, açúcar, xarope de milho e farinhas são os que mais merecem atenção no dia a dia, pois são práticos e, ao contrário dos carboidratos complexos, não possuem um nível relevante de nutrientes, vitaminas e fibras.

Uma pesquisa conduzida em 2020 pela Fiocruz demonstrou que o consumo de doces e chocolates, que fazem parte deste grupo alimentício, aumentou 63% entre jovens adultos em meio à pandemia.

Segundo o endocrinologista Ricardo Rienzo, uma das primeiras repercussões da ingestão exacerbada desta categoria alimentícia é o risco de aumento das triglicérides, que contribuem para o armazenamento de energia. “Quando os triglicerídeos se encontram em alto nível no sangue, a probabilidade para o desenvolvimento de doenças cardíacas aumenta”, completa o Dr. Rienzo.

Entre as ações que podem ser adotadas para evitar o desenvolvimento de complicações relacionadas a este fenômeno estão a prática de atividades físicas e a manutenção de uma dieta balanceada, garantindo que os carboidratos respondam por, no máximo, 60% das refeições individuais.

Cardiopatias

Vale notar que o sistema cardiovascular também pode ser impactado pelos hábitos desenvolvidos nesta nova modalidade de trabalho e, por isso, os cuidados relacionados ao coração são de extrema relevância neste cenário.

Embora o regime de home office contribua positivamente para evitar a circulação de pessoas na rua em meio à pandemia, a permanência em casa por longos períodos pode levar ao sedentarismo, facilitando a incidência de complicações que geram maior vulnerabilidade frente às cardiopatias.

Para o cardiologista Nilton Carneiro, essa inatividade pode levar ao sobrepeso, descontrole dos níveis de pressão arterial, glicemia e colesterol. “Todos estes itens são fatores de risco para desfechos cardiológicos mais graves como infarto, arritmia ou acidente vascular cerebral.

Em relação à prevenção destas condições, o especialista indica uma rotina organizada, que contemple a prática de atividades físicas e, além disso, uma dieta balanceada, monitorando o consumo de bebida alcoólica e alimentos gordurosos.

Saúde mental

Além das repercussões físicas, a permanência no regime de home office por longos períodos, sem atenção para os cuidados adequados, pode facilitar a incidência de comorbidades psicológicas.

A psicóloga Giovana Rossi aponta que esse fenômeno causa uma sensação de confinamento e, por isso, é comum que indivíduos submetidos a estas circunstâncias apresentem quadros de estresse agudo.

“Muitas pessoas alteram a rotina de sono e alimentação, o que impacta diretamente no estado de saúde física e emocional, e na produção de hormônios que regularizam e geram bem-estar no organismo”, adiciona.

Para prevenir estas complicações, a especialista recomenda a manutenção de uma rotina regrada, com foco no equilíbrio entre atividades profissionais e recreativas, além da adoção de estratégias de autocuidado.

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