Domingo, 16 de Maio de 2021

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Geral Idosos aderem aos bancos digitais em meio à pandemia

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O total de casos confirmados em 495 dos 497 municípios gaúchos chega a 230.944. (Foto: EBC)

A pandemia de Covid-19 forçou o coach Alberto Centurião, de 69 anos, a ficar o máximo do tempo em casa. Suas atividades presenciais foram suspensas, ele só presta serviços on-line e intensificou as compras pela internet, o que tornou mais frequente o uso de transferências e cartão de crédito. Por isso, ele decidiu abrir uma conta em um banco digital, orientado pela filha. “Não pago tarifas e o dinheiro ainda fica rendendo”, diz.

O caso de Centurião é ilustrativo de uma tendência. Os bancos digitais perceberam um forte aumento da abertura de contas por pessoas com mais de 60 anos nos últimos meses, embora eles ainda representem uma parcela tímida dos clientes. Com o fechamento de agências bancárias e o medo de contágio, os idosos passaram a aderir ao mundo digital. Outro impulso veio do auxílio emergencial e da facilidade de saque do recurso nos bancos digitais.

No Nubank, mais de 30 mil pessoas acima de 60 anos abriram contas a cada mês desde o início do isolamento social. Entre abril e junho, o volume de novos clientes nessa faixa foi 50% maior do que no mesmo período do ano passado. Hoje, eles são mais de 630 mil. “A pandemia acelerou a democratização dos serviços digitais, mas o mais interessante foi a atração de uma população que antes era resistente aos bancos digitais”, disse ao jornal Valor Econômico o fundador e CEO do Nubank, David Vélez.

No PicPay, carteira digital controlada pelo Banco Original, entre março e agosto deste ano, houve um crescimento de 54% na quantidade de clientes acima de 60 anos. Já no mineiro Social Bank, com sede em Uberlândia, de janeiro até junho, o número de contas novas desse público cresceu 22%. Apesar do avanço, é preciso colocar os números sob perspectiva: os idosos são apenas 2% da base do PicPay e Nubank, por exemplo, o que significa que a chegada desses clientes está apenas começando.

O C6 Bank também viu mais abertura de contas de idosos. O banco não divulga a quantidade, mas diz que os novos usuários dobraram em julho, na comparação com junho. “Com a redução da renda das pessoas, elas começaram a fazer conta na ponta de lápis sobre o gasto que têm com a tarifa do banco tradicional”, diz Maxnaun Gutierrez, sócio responsável pela operação de pessoas físicas no C6 Bank.

O executivo diz ainda que parte desse movimento foi causado pelo pagamento do auxílio emergencial. No aplicativo da Caixa Tem, o cliente demora para conseguir sacar o valor. Transferido para uma conta de um banco digital, o processo é mais rápido e gratuito, afirmou Gutierrez.

Uma pesquisa feita pelo Ibope em maio com cerca de 200 pessoas acima de 55 anos, a pedido do C6 Bank, mostrou os hábitos financeiros dessa fatia da população. Nesse público, 42% passaram a usar mais canais digitais durante o isolamento social, 45% pararam de ir às agências bancárias e 40% diminuíram o uso do dinheiro em espécie. Todos são movimentos que favorecem um comportamento mais digital dessa parcela da população.

Joga a favor ainda a percepção que eles têm das instituições financeiras. Os dados mostraram que 27% enxergam mais vantagens nos bancos digitais do que nos tradicionais, enquanto 30% afirmaram que há pouca diferença e 26% disseram que há mais vantagens nos bancos tradicionais. Além disso, 36% não têm nenhuma resistência em trocar de banco, mas outras 25% afirmaram que têm muita resistência em fazer a mudança.

Segundo executivos dos bancos digitais, o movimento natural das pessoas acima de 60 anos tem sido primeiro aderir às redes sociais, depois ao e-commerce e, a partir daí, aos canais digitais de bancos tradicionais. O último passo é escolher um banco digital. Centurião é um exemplo: cliente em um banco tradicional há 46 anos, ele já tinha familiaridade com o internet banking antes de migrar para o banco digital. Para ele, o caminho é sem volta. “Não sei por quanto tempo manterei a conta bancária.”

Como a chegada dos clientes acima de 60 anos é recente, ainda se sabe pouco sobre qual será o perfil de consumo e quanto eles poderão agregar à rentabilidade. “O desafio será identificar se esse cliente vai se adaptar ao que planejamos como experiência no aplicativo e realmente ficar no banco digital”, afirmou Gutierrez, do C6. As informações são do jornal Valor Econômico.

 

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