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Geral Importância da China no comércio com os brasileiros incomoda a Índia

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Imagem mostra o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy. (Foto: Reprodução)

A convergência entre Brasil e Índia na reunião dos chanceleres do Brics na Cidade do Cabo (África do Sul) no sentido de tentar evitar a ampliação do número de países do bloco, tende a se repetir não apenas na reunião dos chefes de Estado de Brasil, Rússia, India e China, em agosto, como no G-20, em Nova Déli. Se, no Brics, o temor de ambos é de que o bloco se torne um clube de amigos da China ou um “G-7 do B”, com Vladimir Putin no lugar de Volodmir Zelensky, no G-20 tampouco interessa a nenhum dos dois países a “ucranização” do encontro.

A aproximação política entre os dois países, sedimentada na tradição do não alinhamento de ambos, resistiu à saída do ex-presidente Jair Bolsonaro do poder, mais afinado ideologicamente com o primeiro-ministro Narendra Modi. Não encontra a mesma correspondência, porém, nas relações comerciais. Quinta economia do mundo, a caminho de se tornar a terceira, e com uma população que já superou a da China, a Índia tem nos Estados Unidos seu principal parceiro comercial. A participação do Brasil no mercado indiano é de apenas 1%.

“O que o Brasil está fazendo para alargar seu mercado com a Índia? Em vez de comparar com outros países, o Brasil deve reconhecer o quanto a economia indiana cresce e as oportunidades que esta perspectiva traz para o país”, diz o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy. No país desde setembro de 2020, ex-embaixador de seu país na Indonésia e ex-negociador indiano no G-20, no Brics e na Organização Mundial do Comércio (OMC), Reddy não explicita a menção à China, país com o qual a Índia mantém uma fronteira em estado permanente de beligerância. O incômodo com a centralidade da China na pauta brasileira, porém, não poderia ter ficado mais clara na entrevista concedida ao jornal Valor Econômico, na embaixada em Brasília, um prédio com cinco edificações e vista para o Lago Sul, projetado pelo arquiteto Paulo Henrique Paranhos em 2017

O perfil das relações comerciais atualizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) dá lastro ao humor do embaixador. O Brasil está em 25º lugar entre os fornecedores para a Índia e é o 13º destino das exportações indianas. Apesar de, em 2022, ter atingido o maior volume de exportações da história (US$ 6,3 bilhões), o país mantém, desde 2019, déficits crescentes na balança comercial, que chegaram a US$ 2,5 bilhões. A exportação é concentrada e de baixo valor agregado. Gordura vegetal, petróleo e ouro respondem por 80% do total. A importação de produtos indianos é não apenas menos concentrada quanto mais industrializada e composta, principalmente, de químicos e petroquímicos.

Se a balança comercial está longe de refletir a proximidade entre Índia e Brasil nos fóruns internacionais, a balança de investimentos fica ainda mais distante da parceria estratégica da diplomacia. O grupo Tata, o maior da Índia, construiu uma fábrica da Jaguar Land Rover, a primeira fora do Reino Unido, com investimento de R$ 341 milhões, em Itatiaia (RJ), e a Sterlite atua em projetos de construção de linhas de transmissão em todas as regiões do país, à exceção do Norte.

A despeito das compras milionárias de vacinas indianas durante a pandemia, o embaixador diz que ainda não foi capaz de convencer a indústria farmacêutica do país, que responde por 65% da produção mundial, a investir numa fábrica no Brasil. Na soma, os investimentos indianos no Brasil representam 0,67% de tudo o que o país investe no mundo.

Os investimentos brasileiros na Índia, em contrapartida, são ainda menos relevantes: 0,02% do total. Dez anos atrás, o estoque de investimentos brasileiros na Índia era 2,5 vezes maior que o atual. O histórico reflete, em grande parte, o que aconteceu na economia dos dois países. Em 2011, o PIB do Brasil era 44% superior, em dólar, ao da Índia. Dez anos depois, estava reduzido à metade do registrado por aquele país.

O embaixador indiano situa no setor de alimentos a maior oportunidade para as exportações brasileiras em razão da mudança nos hábitos de uma população de crescente poder aquisitivo. “São 340 milhões de indianos de classe média, um contingente maior que toda a população americana ou europeia, e que está em busca de hábitos alimentares mais saudáveis”, diz.

Ele cita ainda as perspectivas para a moda brasileira no país e a ausência do Brasil entre os destinos turísticos e de educação superior dos indianos. Há 200 mil estudando no exterior com gastos médios de US$ 50 mil por ano. Só no capítulo educação a receita em disputa é de US$ 10 bilhões, a maior parte, abocanhada pelos Estados Unidos.

“Estamos atentos para a emergência da economia indiana e vamos aproveitar cada brecha que se abre na nossa parceria. Não vamos sair da China, mas vamos trabalhar e voltar com força na relação com Índia e África”, diz o presidente da Apex, Jorge Viana. As informações são do jornal Valor Econômico.

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