Quarta-feira, 05 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 4 de agosto de 2026
Veículos de imprensa internacionais repercutiram a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O anúncio foi feito nessa terça-feira (4). Confira abaixo a repercussão do caso.
Associated Press
A agência americana Associated Press (AP) noticiou a revogação. Uma fonte do Departamento de Estado declarou à agência que “Reciprocidade é a palavra-chave”.
Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
Reuters
A Reuters destacou que, segundo uma fonte anônima, caso a situação do provável futuro embaixador norte-americano no Brasil seja resolvida, Maria Luiza terá seu visto de volta.
“A medida adotada foi a revogação do visto de uma diplomata de alto escalão. Isso não significa que ela tenha sido expulsa do país. Ela continua nos Estados Unidos, mas sem um visto válido, que poderá ser restabelecido caso o equilíbrio seja restabelecido com a concessão do agrément ao embaixador indicado pelos EUA”, afirmou a fonte à agência de notícias, em condição de anonimato.
CNN Internacional
Já a CNN Internacional disse que a atitude do governo dos EUA está “agravando a tensão entre Washington e Brasília”.
Além disso, o jornal norte-americano destacou que a medida ocorre às vésperas das eleições presidencias brasileiras, em outubro.
La Nación
Já na América do Sul, o jornal argentino La Nación ressaltou as divergências entre o governo Lula e o governo Trump. “O governo Trump tem inúmeras divergências com o esquerdista Lula e suas políticas, e já recebeu Bolsonaro, que busca dar continuidade ao governo conservador de seu pai, Jair”, escreveu o portal de notícias argentino.
Arab News
No Oriente, a decisão do governo Trump também repercutiu. O jornal Arab News, da Arábia Saudita, chamou o impasse entre brasileiros e americanos de “desentendimento”.
Bloomberg
A Bloomberg, um dos maiores jornais de economia do mundo também repercutiu a decisão do governo Trump.
A revogação
O Departamento de Estado afirmou que a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata. Segundo o governo americano, ela poderá permanecer nos EUA, mas sem um visto válido. O órgão disse ainda que o documento poderá ser restabelecido se o Brasil conceder o aval diplomático.
Perez foi indicado ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil em junho. Há duas semanas, a indicação dele recebeu o aval de uma comissão do Senado norte-americano, mas ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa.
Além disso, pela tradição diplomática, antes de um embaixador assumir o posto, o país que irá recebê-lo precisa autorizar a indicação. Segundo o Departamento de Estado, o Brasil ainda não concedeu esse aval.
O governo americano alega que as autoridades brasileiras sinalizaram que a autorização só deve ser dada após as eleições presidenciais de outubro. O Departamento de Estado disse ainda não descartar outras medidas.
“Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas.”
Repúdio
O governo brasileiro repudiou a revogação do visto da embaixadora nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.
O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. “O Governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington. As duas justificativas apresentadas são falsas”.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o governo afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil. Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.
O pedido norte-americano, acrescenta a nota, ainda está em análise. “Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément”, destacou.
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