Quarta-feira, 08 de abril de 2026

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Política Insatisfação com o presidente do partido gera debandada no União Brasil

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O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, tem sua habilidade política contestada. (Foto: Kalina Maurer/União Brasil)

Recém-federado com o PP, o União Brasil sofre uma debandada que ameaça reduzir a bancada atual do partido quase à metade, o que levaria a legenda a registrar um dos piores desempenhos na janela partidária de 2026. Em fevereiro, antes do início do período em que é permitida a troca de partido sem perder o mandato, o União Brasil tinha 59 parlamentares. Até o momento, pelo menos 22 já deixaram ou indicaram que vão deixar o partido, que já foi a terceira maior bancada da Câmara.

Há expectativa de que outra dezena o faça. Os deputados que saem citam a necessidade de ter um palanque mais competitivo em seus Estados, mas também criticam a condução partidária do presidente Antonio Rueda, cuja habilidade política é contestada.

Pauderney Avelino (AM), que já está com “um pé fora”, atribui a Rueda parte da responsabilidade pela debandada. “O Rueda não é da política, não tem experiência”, afirmou.

Kim Kataguiri (SP), que deixou o União Brasil para inaugurar a bancada do recém-criado Missão nesta janela partidária, vê incompetência da direção nacional e conflitos regionais como fatores fundamentais para o abandono de colegas do partido. “O fato de que o partido não tem programa também faz com que cada um saia de acordo com sua conveniência política”, analisou.

Uma das saídas mais ruidosas foi a do deputado Danilo Forte (CE), que migrou para o PP. Ele negociava filiação ao PSDB e já tinha acordo com o presidente nacional do partido, Aécio Neves. Porém, segundo Forte, não houve, no Ceará, espaço na “nominata”, expressão que designa a lista dos candidatos de um partido ou de uma federação.

Forte buscava ser o nome do União Brasil para a disputa pela vaga do ex-ministro Aroldo Cedraz no Tribunal de Contas da União (TCU). Ele atribui à falta de cumprimento de acordo por parte de Rueda a decisão de ter deixado o partido. A eleição na Câmara para uma cadeira na Corte de Contas ainda não ocorreu.

O parlamentar diz que tinha apoio da bancada e do líder, Pedro Lucas (MA), para disputar a vaga, mas que Rueda se esquivou de indicá-lo. “Eu cumpri todos os prazos que estavam pré-estabelecidos para essa indicação. Pedi a convocação da bancada várias vezes para tomar essa decisão. Mas o embarreiramento se deu exatamente pela postura do presidente.”

O União Brasil foi criado a partir da fusão do PSL com o DEM em fevereiro de 2022. Dois anos depois, já estava mergulhado em crise devido a um racha que retirou do comando da legenda o então presidente Luciano Bivar (PE) e colocou Rueda no poder.

A partir daí, uma série de divergências internas aprofundou as fragmentações.

Além dos problemas com Rueda, dissidentes citam a própria decisão de formar federação com o PP, que criou impasses regionais. Os dois partidos passaram a disputar o controle dos diretórios estaduais. Membros do União Brasil que perderam a queda de braço saíram da legenda.

A situação ocorreu, por exemplo, com o deputado Alfredo Gaspar, em Alagoas. Seus aliados dizem que Rueda chegou a prometer que ele assumiria o controle do diretório estadual, que foi parar nas mãos do grupo do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. Gaspar foi para o PL.

Há ainda reclamações de que Rueda decide unilateralmente intervir em diretórios do partido sem avisar parlamentares e prefeitos, aumentando o desgaste. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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