Terça-feira, 29 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Colunistas Instinto de pitbull

Compartilhe esta notícia:

Trump afirmou que iria usar forças militares para perseguir o tráfico organizado. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Nunca imaginei que pudesse chegar à atual situação: querelas internas, que são comuns e normais nas democracias, de repente envolverem a interferência direta de um governante de país estrangeiro contra algo que só a nós brasileiros cabe decidir.

Como pode um chefe de estado como é o caso de Trump, exigir formalmente, por carta, que o Brasil tome tal atitude, tal decisão, que dizem unicamente respeito à nossa soberania, e de cara já estabelecendo graves sanções contra os nossos interesses? Quem lhe conferiu tal prerrogativa? Por que ordem de maluquice Trump imagina que o governo brasileiro, o STF irão se submeter aos seus desígnios alucinatórios?

Como pode o governante do país mais poderoso do mundo agir como um gangster? Em normal circunstância deve-se exigir exame antidoping antes de negociar com esse deletério personagem. Cachorro louco, um pitbull solto, sem juízo e medida, ameaçando morder.

O presidente doidivanas diz em carta, que está em curso no Brasil uma caça às bruxas, em que o alvo principal é o seu parceiro e amigo de infância Jair Bolsonaro, a qual deve acabar IMEDIATAMENTE, assim em maiúsculas. É tão descuidada a correspondência que ele alega um superávit comercial do Brasil, que na verdade acumula déficits comerciais com os EUA desde 2009.

E o governante, comunica desde logo a punição, sem aviso prévio, diálogo ou processo, de forma unilateral, de uma sobretaxação da ordem dos 50% na importação de produtos brasileiros, virando de cabeça para baixo o comércio entre os dois países: uma verdadeira declaração de guerra.

Trump pode não gostar de Lula, e pode passar o pano nas estripulias golpistas como se não tivessem acontecido, pode querer mostrar ao mundo a distinta consideração que devota a Bolsonaro, mas o que está em jogo é uma questão da órbita interna de um país soberano, o Brasil.

Brasil, a pátria suposta do bolsonarismo, que entretanto, na hora do aperto se refugia à sombra não das instituições nacionais, sob a bandeira verde-amarela, mas sob a bandeira estrelada da América. O coração dos Bolsonaros bate pela América, não pelo Brasil. Não é à toa que ironizam: Bolsonaro usa dois relógios, um com a hora de Brasília, outro com a hora de Washington.

O mais notável é que os seguidores de Bolsonaro, obnubilados, botam a mão fogo pelo presidente canastrão e vão pela trilha de sempre: a culpa é de Lula. Ou seja, sem uma palavra de aviso, de inopino, causando total perplexidade, Donald Trump, no seu instinto de cachorro louco, de uma canetada, impõe ao Brasil uma sobretaxa obscena e a culpa é de Lula!

Algo que deveria unir o país em um brado de indignação e resistência, em nada abalou a predileção dos bolsonaristas. E personagens como Zema, Caiado, Ratinho, Tarcísio, aderem sem restrições ao discurso de que a razão assiste a Al Capone.

Terá o colunista se perdido no entremeio da polarização, não sendo mais capaz de diferenciar o certo do errado? Terão tais personagens, os bolsonaristas, perdido coletivamente o juízo, vítimas de um quebranto importado do inferno livre de taxas?

titoguarniere@terra.com.br

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Colunistas

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Com Lula, Zanin chamou tornozeleira de “indigna”
Morre, aos 89 anos, Roberto Duailibi, um dos principais publicitários do Brasil
Pode te interessar