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Economia Institutos de previdência investiram mais de R$ 1,5 bilhão no Banco Master

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O banco passa por processo de liquidação judicial desde novembro. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Institutos públicos de previdência dos Estados do Amapá, Amazonas e Rio de Janeiro e de 15 municípios espalhados pelo País investiram, somados, mais de R$ 1 bilhão em papéis do Banco Master, de acordo com dados do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). O banco passa por processo de liquidação judicial desde novembro.

O que aconteceu

– Foram analisados 18 institutos, com investimentos ligados ao Banco Master de R$ 1.577.793.296,51. A maior parte do dinheiro está alocado em letras financeiras, títulos com vencimento dentro de 2 anos ou mais e sem possibilidade de resgate antecipado. O valor representa cerca de 3,5% do total investido pelas instituições analisadas.

– Juntos, os institutos atendem mais de 250 mil beneficiários. De acordo com dados do INSS, mais de 180 mil aposentados e cerca de 70 mil pensionistas recebem dinheiro desses órgãos, localizados em nove estados das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste do país.

– Rioprevidência investiu R$ 970 milhões em papéis do Master. O valor representa 10% de todos os investimentos do órgão. Realizadas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, nove compras de títulos motivaram fiscalização do INSS no órgão, que paga benefícios a 190 mil pessoas e nega irregularidades na transação.

– Movimentação foi alvo de operação da PF. O presidente da Rioprevidência foi exonerado após ser alvo de busca e apreensão na Operação Barco de Papel. A PF apontou risco elevado e finalidade incompatível com o fundo, voltado para a aposentadoria complementar dos servidores.

– Em outubro de 2024, deputado estadual pediu esclarecimentos à Rioprevidência. Um ofício de Luiz Paulo (PSD) pediu detalhes sobre “medidas implementadas para mitigar os riscos de mercado, de crédito, de liquidez e de outros fatores que possam impactar negativamente a sustentabilidade” do fundo, mas não foi respondido.

– Aposentadorias e pensões serão pagas com dinheiro do Tesouro Estadual em caso de insuficiência financeira. A informação foi passada pelo Rioprevidência.

– Valor descontado em folha de empréstimo consignado ficará com o Rioprevidência. Segundo a autarquia, uma decisão judicial determinou que os valores sejam por ela retidos em vez de repassados ao Banco Master.

– No Amapá, Justiça determinou que descontos de empréstimos consignados feitos por aposentados e pensionistas não sejam repassados ao Master. A pedido do Amapá Previdência, os R$ 400 milhões a serem pagos por beneficiários ficarão no Banco do Brasil, para evitar problemas em meio à liquidação do Master.

– Em outubro, o instituto de previdência do Amazonas monitorava “rumores sobre a incapacidade do banco (Master) em honrar com seus compromissos”. A informação consta em documento enviado ao INSS. Com mais de 35 mil beneficiários, o Amazonprev tinha R$ 59.287.317,30 em papéis do Master em novembro do ano passado.

Previdências municipais

– Master tinha “solidez financeira” no momento dos investimentos, afirma Maceió Previdência. O órgão tem R$ 120 milhões em papéis do Master. Já o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (MS) tem R$ 1,4 milhão investido no banco. Os dois institutos têm cerca de 7 mil beneficiários cada.

– No estado de São Paulo, cidade do interior investiu R$ 2 milhões em fundo administrado pelo Master. O Instituto de Previdência Municipal de Santa Rita d’Oeste fez aplicações de R$ 1 milhão em 23/12/24 e 18/02/25 no Texas I, cuja composição incluía 99,76% de ações de uma mesma empresa. O caso gerou alerta no Ministério Público de Contas.

“Fundos pouco diversificados, como o fundo Texas, apresentam risco elevado para os cotistas, uma vez que o desempenho da cota está totalmente atrelado à valorização ou desvalorização de um único papel, que está sujeito a oscilações decorrentes de fatores específicos daquela empresa, como resultados financeiros, mudanças regulatórias, governança corporativa, ou até mesmo eventos reputacionais”, informou o Ministério Público de Contas de São Paulo, em representação.

– Município conseguiu reaver em outubro de 2025 valores investidos. Em nota, o Instituto Municipal de Previdência de Santa Rita d’Oeste disse que aplicações “seguiram critérios técnicos” e relatórios de consultorias especializadas. Segundo órgão, não houve “qualquer prejuízo” para o instituto e seus segurados.

– Em alguns casos, municípios abriram sindicâncias para investigar investimentos. Um exemplo é Araras (SP), onde três títulos avaliados em mais de R$ 30 milhões foram adquiridos em 2024. Em Paulista (PE), a compra de papéis estimados em R$ 3 milhões aconteceu “à revelia da governança interna”, diz prefeitura.

– Apesar dos problemas, institutos afirmam que pagamento de aposentados e pensionistas está garantido. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após identificar em sua operação “graves violações” às normas que regem o Sistema Financeiro Nacional – entre outros motivos. As informações são do portal de notícias UOL.

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