Segunda-feira, 18 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 17 de maio de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou duas vezes nesta última semana interesse em tornar a Venezuela o 51° Estado americano. A manifestação mais recente foi em uma publicação no Truth Social na terça-feira (12), que incluía um mapa no qual o país sul-americano estava coberto pela bandeira dos EUA.
Declarações anteriores questionando a soberania da Venezuela nos últimos 25 anos foram recebidas com imediato desprezo por altos funcionários do governo, incluindo a presidência. O partido governista chegou a organizar manifestações na capital, Caracas, em 3 de janeiro, horas depois da captura do então presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, onde se ouviam gritos de “Gringo, volte para casa”. Desta vez, o governo permaneceu praticamente em silêncio, com exceção de uma breve declaração à imprensa da presidente interina Delcy Rodríguez na segunda-feira.
Essa postura demonstra o equilíbrio delicado que Rodríguez precisa manter entre a política externa e a interna após o ataque militar do Pentágono em Caracas, em janeiro. Desde então, o governo Trump implementou um plano gradual para tentar reverter a situação de crise do país e forçou o movimento político de Rodríguez, o chavismo, a abandonar o sentimento anti-americano que por muito tempo acompanhou sua doutrina.
“Esta é provavelmente a manifestação mais pública e contundente da abordagem transacional e de sobrevivência do governo, acima de tudo, neste momento, acima até mesmo de princípios chavistas básicos”, disse Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina do think tank Chatham House, com sede em Londres. “É melhor eles se conterem e não ofenderem os Estados Unidos agora. Por que reagir de forma exagerada a uma declaração ridícula de Donald Trump?”
Rodríguez disse a repórteres na segunda-feira que o país não tinha planos de se tornar o 51° Estado dos EUA, mas seus comentários foram muito mais moderados do que discursos presidenciais anteriores que ridicularizavam tais declarações vindas de Washington. Suas declarações vieram depois que Trump disse que estava “considerando seriamente” a possibilidade. O presidente republicano fez comentários semelhantes sobre o Canadá.
“Continuaremos a defender nossa integridade, soberania, independência e história”, declarou Rodríguez, acrescentando que a Venezuela “não é uma colônia, mas um país livre”.
A administração Trump surpreendeu os venezuelanos ao optar por trabalhar com Rodríguez, em vez da oposição política do país, após a saída de Maduro. Desde então, Rodríguez liderou a cooperação com o plano gradual da Casa Branca, apresentando sua nação rica em petróleo a investidores internacionais e abrindo seu setor energético ao capital privado e à arbitragem internacional. Ela também substituiu altos funcionários, incluindo o ministro da Defesa e o procurador-geral leais a Maduro.
Trump elogiou seu trabalho e sua administração suspendeu as sanções econômicas contra Rodríguez e flexibilizou as sanções contra o país, embora algumas permaneçam. Washington agora a reconhece como a “única” chefe de Estado da Venezuela.
Os Estados Unidos deixaram de reconhecer Maduro como o líder legítimo do país em 2019, um ano depois de ele proclamar sua reeleição em eleições amplamente consideradas fraudulentas, já que partidos e candidatos da oposição foram impedidos de participar.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram transferidos para Nova York para responder por acusações de tráfico de drogas após sua prisão em 3 de janeiro. Ambos se declararam inocentes e permanecem detidos em um centro de detenção no Brooklyn.
Em Caracas, alguns moradores consideraram, na quarta-feira, a resposta do governo equivalente a uma submissão a Trump, mas também reconheceram que Rodríguez não está em posição de desencadear a propaganda anti-americana característica do chavismo.
“Ele sabe que, no momento, é prudente não se envolver em um confronto direto, porque sabe que certamente perderá”, observou o estudante universitário Adonai Osoria. “Agora, há quem discorde, quem não goste disso? Bem, sim, claro. Mas considero a reação que ele teve agora uma reação comum e compreensível.”
Os apoiadores do governo demonstraram sua postura inflamada em relação aos Estados Unidos nos dias que se seguiram à captura de Maduro, quando queimaram bandeiras americanas e carregaram cartazes com os dizeres “Gringo, volte para casa”.
Entre os apoiadores mais fervorosos do governo em todo o país estão os grupos armados conhecidos como “colectivos”. Sua participação em manifestações pró-governo é comum. O lider local Jorge Navas classificou os comentários de Trump como “atos irresponsáveis de provocação” e elogiou Rodríguez por sua resposta diplomática.
“Estamos cedendo estrategicamente, mas não vamos quebrar”, disse Navas sobre a abordagem adotada pelo chavismo diante da pressão dos EUA. “Continuamos resistindo, isto é, realisticamente”, dada a situação econômica do país. As informações são da agência de notícias AP.
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