Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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Brasil A Interpol localizou em Angola mais de 500 quilos de cocaína que saíram do Brasil em um navio

As autoridades do país africano verificaram que a droga apreendida tem 97% de pureza. (Foto: Reprodução)

Mais de 500 quilos de cocaína foram localizados pela Interpol (a polícia internacional) no porto de Luanda, em Angola, escondidos em contêineres que haviam sido embarcados em Santos (SP). Segundo as autoridades, trata-se do mesmo carregamento ilícito que um brasileiro tentou recuperar no Marrocos mas acabou preso com parte da droga. Juntas, as apreensões passam de uma tonelada.

O autônomo paulista Márcio Ricardo de Oliveira, 40 anos, é suspeito de chefiar uma quadrilha que foi desmantelada no porto marroquino de Casablanca com 541 quilos do entorpecente. Investigações apontaram que ele saiu do Brasil para recuperar a carga total (que mudou de trajeto inesperadamente) para levá-la à Europa.

Após a prisão do brasileiro e de outras cinco pessoas, parte do mesmo lote de contêineres foi deslocada para que fosse transportada em outro navio, a fim de concluir a entrega no destino pré-determinado. O lote não foi revistado mas, por pertencerem ao carregamento original, houve a suspeita de que houvesse mais cocaína escondida.

A Interpol então se mobilizou e acionou o Serviço de Investigação Criminal do país africano. O porto de Luanda seria a próxima escala da embarcação. Os contêineres, com sacas de açúcar do mesmo lote que saiu de Santos, foram desembarcados e, dentro deles, estava armazenadas outras centenas de tabletes da droga. O representante local da Interpol, Destino Pedro, afirmou à imprensa que o país não era o real destino do entorpecente.

A imprensa angolana noticiou que também foram detidos tripulantes italianos do navio Grande Buenos Aires, inclusive o comandante da embarcação na qual foram transportados os contêineres. Conforme sites públicos de monitoramento, até essa quinta-feira a embarcação permanecia retida no cais, de onde deveria ter saído há cinco dias.

Já um representante do escritório brasileiro da empresa Grimaldi, dona do cargueiro, afirmou que “não tinha informações que pudessem ser divulgadas”. Autoridades estrangeiras confirmaram, ainda, que foi a bordo de outro navio, o Grande Brasile, da mesma empresa, que a droga viajou de Santos a Casablanca.

Pureza máxima

Após a apreensão da primeira metade do carregamento de cocaína no Marrocos, a polícia científica do país, em análise das substâncias, constatou que a droga apresenta 97% de pureza. Os investigadores que acompanham o caso acreditam que ela tenha sido fabricada nos países andinos vizinhos ao Brasil.

Após cruzar a fronteira, o lote foi levado até o cais santista, onde acabou escondido no Grande Brasile, que fez escala no porto em janeiro. Estima-se que, na Europa, o carregamento total seria vendido por cerca de R$ 160 milhões.

Desde a prisão do brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil diz que acompanha o caso e apura as circunstâncias do incidente. Familiares do suspeito solicitaram apoio à Embaixada do País em Angola – que também tem o português como idioma oficial, a exemplo de Moçambique e Guiné-Bissau.

O brasileiro vive em Cubatão (SP), onde é autônomo e trabalha como mecânico de carros. Em declarações à imprensa, familiares de Oliveira se mostraram chocados e constrangidos com a situação. Um de seus parentes próximos acredita que o paulista tenha sido vítima de alguma “armação”.

O advogado brasileiro do suspeito, Danilo Pereira, também confirmou a prisão mas preferiu não detalhar qualquer informação, para “não atrapalhar os rumos do processo”. O defensor, que deverá viajar ao Marrocos nos próximos dias, assegura que o seu cliente não possui ligação com organizações criminosas e que também não tem quaisquer antecedentes criminais.

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