Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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Brasil Investigação vai incluir Pan também comandado por Nuzman

Coletiva de imprensa na PF sobre prisão de Nuzman. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O MPF (Ministério Público Federal) vai investigar a organização do Pan de 2007. O evento foi presidido também por Carlos Arthur Nuzman, preso nesta quinta-feira (5) no Rio de Janeiro.

O dirigente é suspeito de atuar na compra de votos para a escolha da cidade para sediar os Jogos de 2016. “Vamos apurar se a organização criminosa já se beneficiava naquela época. Não fechamos nenhuma linha de investigação”, disse o promotor Rodrigo Timóteo.

Para realizar o Pan de 2007, o Rio sofreu com uma série de atrasos na execução das obras e teve o orçamento estourado várias vezes. O evento iria custar, inicialmente, R$ 414 milhões, mas saiu por R$ 3,7 bilhões.

“O esquema pode ser muito maior. Estamos colhendo novos dados”, disse a procuradora Fabiana Scheider.

O Pan foi realizado no primeiro ano de Sérgio Cabral como governador do Rio de Janeiro. Ele está preso há quase um ano acusado de liderar uma organização criminosa que desviava recursos públicos.

A operação desta quinta é um desdobramento da Operação “Unfair Play”, que investiga a compra do voto do senegalês Lamine Diack por US$ 2 milhões.

O empresário Arthur César Soares de Menezes, foragido há um mês, foi o responsável por pagar a quantia semanas antes da escolha, em outubro de 2009, em Copenhague, de acordo com as investigações. Menezes tinha uma série de negócios com o governo Sérgio Cabral.

Barras de ouro

No mês passado, Nuzman fez uma retificação de seu imposto de renda após a deflagração da Operação Unfair Play. Neste ato, declarou ter 16 barras de ouro, de 1 kg cada, depositadas num cofre na Suíça no valor de R$ 1,5 milhão. Também informou à Receita os R$ 480 mil em espécie encontrados na sua casa, em cinco moedas diferentes.

A alteração na declaração às autoridades fiscais foram interpretadas como uma tentativa de obstruir as investigações.

“Enquanto atletas olímpicos buscavam a sua medalha de ouro, dirigentes guardava suas barras de ouro na Suíça”, afirmou Fabiana.

O MPF considerou a prisão de Nuzman “imprescindível não só como garantia da ordem pública, como para permitir bloquear o patrimônio, além de impedir que ambos continuem atuando, seja criminosamente, seja na interferência da produção probatória”.

Um dos argumentos da procuradoria foi a retificação ao imposto de renda para declarar entre seus bens 16 barras de ouro de 1 kg, guardados num cofre na Suíça. Ela foi feita no dia 20 de setembro, após a deflagração da Operação Unfair Play.

“Ao fazer a retificação da declaração de imposto de renda para incluir esses bens, claramente atuou para obstruir investigação da ocultação de patrimônio”, diz a procuradoria.

Prisão e farra

Carlos Arthur Nuzman foi preso na manhã desta quinta-feira (5) por participar da festa conhecida como “farra dos guardanapos”, em Paris. Na ocasião, membros do governo do Rio e empresários celebravam a escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016. Segundo o MPF, a farra foi uma comemoração antecipada da compra de votos. Há forte suspeita de que outros membros do comitê eleitoral para a Olimpíada de 2016 tenham recebido propina para escolher o Rio como cidade-sede.

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