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Economia Irã compra mais do agronegócio brasileiro mesmo com a guerra

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As exportações do Brasil aos países do Golfo Pérsico, entre janeiro e abril, atingiram US$ 4,13 bilhões. (Foto: FecoAgro/Divulgação)

Apesar da guerra e do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, as exportações do Brasil aos países do Golfo Pérsico, entre janeiro e abril, atingiram US$ 4,13 bilhões e superaram ligeiramente o registrado no mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 4,12 bilhões.

O número de janeiro e abril é o segundo melhor pelo menos desde 1997, atrás apenas de 2024. O ano de 1997 marca o início da série com dados do comércio exterior do Brasil, disponível na plataforma Comexstat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O resultado se deve principalmente às exportações feitas em janeiro e fevereiro. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou em 28 de fevereiro e fez as vendas do Brasil – e dos demais países que são fornecedores do golfo – afundarem em março e em abril.

Houve, no entanto, uma exceção: em abril as vendas do Brasil ao Ira recuperaram a força e chegaram a US$ 346,1 milhões, uma alta de 86% sobre os US$ 185,7 milhões de um ano antes.

Em 2025, o Irã foi o maior comprador de milho em grão do Brasil. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), neste ano, até abril, o volume embarcado ao Irã é quase igual ao do mesmo período de 2025, cerca de 2,4 milhões de toneladas.

Entre os produtos brasileiros mais comprados pelos países do Golfo – Omã, Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita, Barein, Kuweit, Iraque, Iră – estão soja, milho, farelo de soja, carne de frango, carne bovina e açúcar.

Nos primeiros quatro meses, os Emirados foram o destino número 1 das exportações brasileiras para o golfo (US$ 1,28 bilhão); o Iră foi segundo maior destino (US$ 912,06 milhões).

Uma avaliação de quem acompanha o comércio na região é que mesmo se Ormuz seguir fechado as importações da região – especialmente de itens para alimentação humana ou ração – vão se adaptar e retomar algum fôlego. Mas por outros caminhos.

“Eles têm outras rotas. Rotas terrestres que vêm via Azerbaijão e via Turcomenistão. Também reativaram pelos menos dez rotas terrestres, principalmente, rodoviárias, pelo Paquistão. E tem também os trens de carga que vêm da China”, disse ao jornal Valor Econômico o embaixador do Brasil no Iră, André Veras.

Segundo a Anec, o porto iraniano Imam Khomeini, perto da fronteira com o Iraque, vinha sendo a referência para desembarque de grãos. Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz, era também muito usado. Agora, o porto estratégico é o de Chabahar, fora do estreito e do golfo.

Transportar por estradas ou trens o que antes chegava em navios é mais custoso. Mas é a opção que restou à região. Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, também fala da relevância das rotas alternativas para manter o comércio em pé.

“O fluxo nos portos na costa oeste da Arábia Saudita, entre eles o porto de Jaeddah, aumentou. De lá, as cargas seguem de caminhão para os outros destinos do golfo. Parte das cargas vai até Damman, e de lá segue de caminhão ou de navio para outros pontos”, diz ele.

O Estreito de Ormuz fica ao sul de Dammam, o que permite aos transportadores driblarem as restrições logísticas. As informações são do jornal Valor Econômico.

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