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Mundo Irã diz que negociações com os Estados Unidos sobre novo acordo nuclear serão suspensas até que Israel encerre seus ataques

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O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que a continuidade das conversas nucleares com os EUA seria “injustificável” diante da ofensiva de Israel. (Foto: Reprodução)

O Irã anunciou que as negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano serão suspensas até que Israel encerre seus ataques ao país e responsabilizou Washington por apoiar as ofensivas. Irã e EUA tinham uma reunião marcada para este domingo (15) em Omã. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse que a continuidade das conversas nucleares com os EUA seria “injustificável” diante da ofensiva militar em curso de Israel contra a República Islâmica, segundo um comunicado do governo.

“É evidente que, em tais circunstâncias e até que a agressão do regime sionista contra a nação iraniana cesse, será sem sentido participar de um diálogo com a parte que é a maior apoiadora e cúmplice do agressor”, reforçou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, em entrevista coletiva em Teerã.

Mesmo após os bombardeios, que eliminaram parte da liderança militar de Teerã, o governo do presidente americano, Donald Trump, ainda tentava publicamente forçar o Irã a se sentar à mesa no domingo. Na sexta-feira, porém, Araghchi afirmou que estava “no caminho diplomático, realizando consultas com os colegas de Omã sobre a participação em uma nova rodada de negociações com representantes dos EUA”, mas que a “agressão do ‘regime sionista’” os forçou a “abandonar o caminho diplomático”.

Anunciadas com certa pompa por Trump, as conversas entre EUA e Irã tinham como objetivo firmar um novo acordo que imponha limites às atividades nucleares iranianas, envoltas em acusações de terem finalidades civis e também militares, o que Teerã nega.

O acordo anterior, firmado em 2015 por um grupo de países, incluindo os Estados Unidos, estabelecia patamares reduzidos para o grau de enriquecimento de urânio – essencial para a criação de armas nucleares – e para o armazenamento do material enriquecido. Em troca, algumas das sanções impostas aos iranianos seriam suspensas. Contudo, Trump abandonou o acordo unilateralmente em 2018 e impôs uma política dura de sanções, em vigor até hoje.

Na atual rodada de negociações, os EUA mantiveram a base do acordo de 2015, mas exigiram compromissos mais amplos dos iranianos – recentemente, o governo Trump disse que não queria mais qualquer tipo de atividade de enriquecimento em solo iraniano, uma ideia vinda do premier israelense, Benjamin Netanyahu, além de uma retirada mais tímida das sanções, o que para o Irã equivale a uma capitulação.

Nos últimos dias, ao menos em público, Trump demonstrava certo receio com a possibilidade de um ataque israelense afetar as conversas, mas mesmo depois das bombas caírem ele pressionou Teerã a aceitar os termos – ao mesmo tempo em que classificou os atos de Israel contra o Irã como “excelentes”.

“Há dois meses, dei ao Irã um ultimato de 60 dias para ‘fechar um acordo’”, escreveu o presidente em sua rede social, o Truth Social, se referindo a um ultimato feito em abril para pressionar Teerã. “Eles deveriam ter feito isso! Hoje (sexta-feira) é o 61º dia. Eu disse a eles o que fazer, mas eles simplesmente não conseguiram. Agora, talvez, tenham uma segunda chance!”.

O The Wall Street Journal divulgou nesse sábado (14) novos detalhes sobre as conversas entre Netanyahu e Trump, descrevendo como o premier israelense persuadiu o republicano a não se opor a um ataque de Israel aos programas nuclear e de mísseis do Irã – e como o presidente posteriormente expressou apoio ao ataque assim que ele começou.

De acordo com autoridades americanas citadas na reportagem, Trump disse a Netanyahu durante uma ligação telefônica na segunda-feira que queria dar um pouco mais de tempo à diplomacia com Teerã. Mas parecia que Trump havia perdido a fé nessa estratégia. A reportagem afirmou que Netanyahu repetiu uma afirmação que vem fazendo publicamente há anos: que o Irã jamais concordaria com o tipo de acordo que Trump desejava. Ele instou Trump a deixar Israel continuar se preparando para um ataque. A mensagem pareceu repercutir.

Em uma ligação telefônica subsequente na quinta-feira, Netanyahu disse a Trump que o prazo de 60 dias que o próprio Trump havia estabelecido para o Irã chegar a um acordo havia acabado de expirar. Netanyahu disse que Israel não podia mais esperar e precisava agir para se defender e fazer cumprir o prazo. Trump respondeu que os Estados Unidos não atrapalhariam Israel, de acordo com autoridades americanas, embora tenha deixado claro que os militares americanos não participariam de nenhuma ação ofensiva. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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