Terça-feira, 24 de março de 2026

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Economia Irã estabelece seu preço para pôr fim à guerra e estabilizar economia global

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Fumaça sobe após ataque israelense na madrugada dessa segunda em Teerã. (Foto: Reprodução)

O presidente americano, Donald Trump, disse que a guerra dos Estados Unidos contra o Irã vai terminar quando ele decidir – ou, em suas palavras, “(quando) eu sentir isso, sentir isso em meus ossos”. Mas “isso” não dependerá apenas de Trump. Ao longo dos últimos dias, à medida que o conflito sofreu uma escalada e lançou ondas de choque pela economia mundial, os líderes e comandantes militares do Irã sinalizaram que – longe de uma rápida capitulação – a República Islâmica planeja silenciar suas armas apenas em seus próprios termos.

“Todo mundo está fixado nas hesitações de Trump, mas vem ignorando completamente o fato de que há um país imenso com seu próprio poder e agenda”, disse um dirigente ocidental. “O que está em jogo é basicamente toda a ‘raison d’être’ (razão de existir, em francês) do regime, que é sobreviver e resistir”.

O Irã vê o conflito como uma ameaça existencial, está desesperado para restaurar seu poder de dissuasão e quer impor um preço tão alto a seus inimigos que eles não estejam dispostos a voltar a pagar caso ataquem de novo, segundo diplomatas e especialistas.

Tudo isso sinaliza que o país se prepara para uma longa guerra de atrito, acrescentaram, e que apenas vai parar se, como parte de qualquer acordo de cessar-fogo, receber garantias de que os EUA e Israel não vão retomar os ataques.

“O Irã diz ‘precisamos de uma garantia e não recuaremos mesmo se a guerra continuar por um ano’”, disse um iraniano próximo ao regime. “Se o Irã for destruído, toda a região estará destruída”.

A retaliação do regime é encabeçada pela Guarda Revolucionária Islâmica, uma força de elite formada por 180 mil pessoas, que disseminou o caos pela região com ataques de drones e mísseis a bases militares dos EUA, instalações de infraestrutura no Golfo Pérsico e à navegação internacional.

“A Guarda Revolucionária é motivada ideologicamente e não têm medo de morrer”, disse o iraniano. Eles estão convencidos de que o objetivo é a mudança de regime e que “se aceitarem um cessar-fogo (os EUA e Israel) voltarão” a atacar.

Isso significa que, se Trump declarar “vitória” e interromper o bombardeio dos EUA ao Irã, existe o perigo de que Teerã possa prosseguir com seus ataques contra Israel e outros países do Golfo Pérsico, mesmo estando machucado e enfraquecido, e de que continue mantendo a navegação refém no Estreito de Ormuz.

No fim de semana passado, Trump, que descreveu os militares iranianos como “dizimados”, disse que o Irã queria negociar, mas que não fez um acordo “porque os termos ainda não eram bons o suficiente”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, rebateu e descreveu como “delirantes” as afirmações de que o país queria uma trégua ou negociações. Araqchi também negou as informações de que teria reaberto um canal de comunicação com o enviado dos EUA, Steve Witkoff. Disse que a afirmação foi feita para acalmar os nervos dos tensos mercados de energia.

Segundo autoridades da região, não se veem movimentações diplomáticas de nenhum dos lados para acabar com a guerra. Ao contrário, os sinais apontam para ameaças de uma ação terrestre dos EUA e radicalização dos membros do regime islâmico.

Além disso, acredita-se que a morte por Israel de Ali Larijani, um veterano do regime conservador, mas uma figura pragmática, na última terça-feira, atrase ainda mais as esperanças de retomada das negociações. Ele seria fundamental para qualquer processo diplomático, segundo um diplomata da região.

O diplomata acredita que o Irã interromperia seus ataques, se Trump se retirasse do conflito, permitindo a Teerã afirmar que forçou a retirada dos EUA.

No entanto, ele acredita que o Irã continuaria a atacar Israel, a quem culpa pela guerra. Haveria também o risco de que o Estreito de Ormuz fosse “parcialmente transformado em arma”, com o Irã determinando quais navios poderiam ou não passar, acrescentou o diplomata.

Rob Malley, que trabalhou como enviado para o Irã do então presidente Joe Biden, disse que Teerã leva em conta dois cálculos. Um é o desejo de acabar com a guerra, em razão dos custos enormes para a infraestrutura e os militares do regime, algo que poderia, com o tempo, prejudicar sua segurança interna.

Mas o Irã também “quer ter certeza de que os EUA e a economia mundial irão pagar um preço elevado o suficiente para que pensem duas vezes antes de retomar a guerra”, disse Malley.

A arma mais potente do Irã provou ser sua capacidade de, na prática, fechar o Estreito de Ormuz, por onde antes passavam cerca de 20% do petróleo e gás mundial.

Embora o Irã já tivesse ameaçado antes fechar o estreito, “eles não tinham certeza (que seriam capazes disso) até que tentaram”, disse o dirigente ocidental. “Agora eles sabem, e isso é bastante efetivo”, acrescentou. “O risco é que eles continuem mantendo o mundo refém.”

Teerã também elevou os custos da guerra para os vizinhos e os mercados globais com ataques à infraestrutura energética. Em resposta a uma ação de Israel ao campo de gás de South Pars, responsável por mais de 80% da produção iraniana de eletricidade, O Irã atingiu a refinaria de Ras Laffan, do Catar, e outras importantes instalações da Arábia Saudita, que disse estar com a “paciência esgotada”.

Se os EUA acabarem com a guerra, Teerã pode sofrer pressão para interromper os ataques por parte de países regionais e de aliados tradicionais como Rússia e China, que depende pesadamente do petróleo e gás do Golfo Pérsico e é a principal compradora de petróleo iraniano, segundo Malley. As informações são do jornal Financial Times.

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