Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de janeiro de 2018
O Itamaraty prorrogou por mais 60 dias o afastamento do embaixador João Carlos Souza-Gomes, que atuava como chefe da delegação do Brasil junto à FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), em Roma.
Souza-Gomes foi afastado do cargo no dia 10 de novembro do ano passado depois da criação de uma comissão de processo administrativo disciplinar para apurar denúncias de assédio que diplomatas e subordinados fizeram contra ele. A investigação, que corre em sigilo, ainda não foi concluída. Ele nega as acusações.
Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, ele tem histórico de episódios de violência moral e sexual entre seus subordinados. Uma reportagem do jornal apurou junto a 7 pessoas que trabalharam com João Carlos e todos relataram episódios de assédio sexual e moral. Segundo os depoimentos, o diplomata frequentemente saía do banheiro com as calças abertas e dizia coisas do tipo “Você viu, né? Você gostou, né?”. Outra funcionária relata ainda que Souza-Gomes exigia que ela o ajudasse a se vestir, colocando suas meias, abotoando sua camisa e calça.
O diplomata também chegou a humilhar uma de suas subordinadas. Segundo relato, Souza-Gomes teria dito “Você estava uma gostosa ontem” na frente de outros funcionários e pedido para que eles a aplaudissem. Uma das vítimas passou a tomar remédios para ansiedade e outra teve de fazer tratamento psiquiátrico para síndrome do pânico por conta do assédio. Um dos entrevistados pelo jornal admitiu que todos ficavam quietos e não denunciavam por medo de retaliação.
“João do Pulo”
Antes do cargo em Roma, Souza-Gomes já foi embaixador na Venezuela, Uruguai, serviu nos consulados de Nova York e São Francisco, nos Estados Unidos, além de ter participado de missão em Paris. O diplomata era conhecido como “João do Pulo” por conta de sua ascensão meteórica na carreira, impulsionada por contatos e relações políticas.
Além do assédio sexual, Souza-Gomes também acumula acusações de assédio moral e racismo. Ele chamaria funcionários negros de “cabelo de Bombril”, além de frequentemente chamar os subordinados de “burros” e “incompetentes”.
O embaixador foi afastado do cargo, mas permanece recebendo os vencimentos e vantagens do cargo, mais de R$ 30 mil reais, conforme prevê a lei.
Paraguai
Ainda em 2017, o presidente Michel Temer (PMDB) nomeou Américo Dyott Fontenelle como cônsul-geral do Brasil em Ciudad del Este, no Paraguai. Fontenelle foi suspenso das atividades de embaixador em 2014 por suspeita de assédio moral, sexual, homofobia e desrespeito no exercício da função de cônsul-geral do Brasil em Sydney (Austrália).
Fontenelle tem um histórico de acusações. Em 2007, também foi investigado por assédio moral quando atuava no Canadá. O processo, no entanto, foi arquivado e o Itamaraty não puniu o funcionário.
Em 2013, funcionários que trabalharam com Fontenelle relataram o drama vivido. “Quando você é tão eficiente me dá vontade de te dar um beijo”, teria dito o cônsul a Claudia Pereira. Para outra colega, Viviane Jones, ele teria comentado que ficava imaginando o que estava debaixo da blusa dela e que ele caminhava se esfregando nas funcionárias.
Já Alberto Amarilho, funcionário de carreira do Itamaraty, relatou que Fontenelle atacava minorias com expressões como “velha escrota”, “negão”, “chinês filha da puta”.
Os comentários estão desativados.