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Variedades Japão planeja lançar satélite feito de madeira no ano que vem

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Cientistas querem promover a tecnologia para outras formas de utilizar madeira no espaço e em ambientes extremos na Terra. (Foto: Reprodução)

A Universidade de Kyoto está se preparando para colocar em órbita o primeiro satélite do mundo feito de madeira. A iniciativa é uma parceira com a empresa florestal Sumitomo Forestry e visa diminuir o impacto do lixo espacial na órbita baixa da Terra. O primeiro satélite do tipo está previsto para lançamento em 2023 e será um experimento para saber se a ideia vai funcionar conforme o esperado.

Junto ao desenvolvimento do satélite, os japoneses envolvidos no projeto planejam também realizar pesquisas sobre o crescimento de árvores, além de promover a tecnologia para outras formas de utilizar madeira no espaço e em ambientes extremos na Terra. Eles desejam que, até março de 2024, tenham estudado a construção de outras estruturas de madeira fora do nosso planeta.

A vantagem dessa inovação é que a madeira permitirá que os satélites, ao encerrarem suas atividades no espaço, possam reentrar na atmosfera sem deixar resíduos para trás. Quando um satélite é desativado, as empresas costumam lançá-los no oceano, mas eles se queimam ao atravessar a atmosfera. Essa queima acaba por deixar uma grande quantidade de detritos de alumínio nocivos para nossa atmosfera e para o ambiente espacial.

Takao Doi, professor da Universidade de Kyoto e astronauta japonês, explicou que “todos os satélites que reentram na atmosfera da Terra queimam e criam minúsculas partículas de alumínio, que vão flutuar na atmosfera superior por muitos anos […] eventualmente, isso afetará o meio ambiente da Terra”. No entanto, se o satélite tiver o corpo feito de madeira, ele queimará sem liberar tantos detritos prejudiciais

Uma vez que a madeira não bloqueia ondas eletromagnéticas ou o campo magnético da Terra, é possível colocar dispositivos como antenas e mecanismos de controle de atitude dentro de uma carcaça de madeira. Assim, todo o equipamento científico ficaria protegido nessa “caixa”. Quando o satélite voltar à Terra, a madeira queimará completamente sem que partículas de metal se juntem ao já preocupante lixo espacial.

Os destroços na órbita baixa terrestres estão aumentando cada vez mais e já se tornaram um dos grandes problemas que as agências e empresas espaciais terão que lidar nos próximos anos. O Center for Space Standards & Innovation estima que atualmente já existam 760.000 objetos maiores do que um centímetro orbitando nosso planeta.

Será que vai dar certo?

É difícil prever quais serão os reais benefícios da madeira em satélites, já que a Sumitomo Forestry e a Universidade de Kyoto não forneceram muitos detalhes sobre o projeto, ou sobre como vão processar esse material. É certo que a grande parte do lixo espacial não vem de satélites, mas sim de pedaços dos foguetes que vão para o espaço e não voltam para a Terra. Aliás, foguetes que ainda serão necessários para lançar os próprios satélites de madeira, vale pontuar.

Se a solução se limitar apenas a essa aplicação, provavelmente terá pouquíssimo efeito sobre o lixo na baixa órbita. Ainda resta encontrar soluções para trazer de volta ou eliminar de uma vez por toda alguma parte da sucata deixada por lá desde o início da exploração espacial. Outro problema é que os componentes eletrônicos dentro dos satélites de madeira também poderão queimar na atmosfera e deixar detritos orbitando o planeta — ou seja, a novidade pode diminuir o problema, mas não resolvê-lo por completo.

Ainda assim, vale a pena tentar diminuir o acúmulo de ainda mais lixo espacial. No início deste ano, a ESA anunciou o satélite Qarman, projetado com um nariz feito com um tipo especial de cortiça que é capaz de sobreviver por tempo prolongado à reentrada na atmosfera terrestre. Entre outros propósitos científicos, o Qarman foi pensado com o mesmo objetivo de ajudar a mitigar o problema do lixo espacial. Independentemente do material utilizado, satélites que queimam completamente ao voltarem para a Terra parecem ser um futuro viável — e desejável — para os próximos equipamentos espaciais.

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