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Brasil Japonês ermitão toma conta de cidade abandonada na selva amazônica

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Shigeru Nakayama "guarda" a cidade de Airão Velho, no Amazonas, abandonada desde os anos 1930. (Crédito: Reprodução)
Airão Velho teve seu auge no Ciclo da Borracha atividade econômica que viveu seu auge no Brasil entre o final do século 19 e a primeira década do século 20. (Crédito: Reprodução)

Airão Velho teve seu auge no Ciclo da Borracha atividade econômica que viveu seu auge no Brasil entre o final do século 19 e a primeira década do século 20. (Crédito: Reprodução)

A cidade de Airão Velho, no Estado do Amazonas, teve seu auge há mais de cem anos e sua decadência econômica traduziu-se na partida dos moradores. Hoje, um único homem vive ali e tornou-se seu guardião. Shigeru Nakayama, 62 anos, chegou ao Brasil há mais de 50 anos. Nasceu em Fukuoka, no sul do Japão, e mudou-se durante o grande fluxo migratório de japoneses no começo dos anos 1960. Sua terra natal, à época, passava por dificuldades econômicas e o Brasil precisava de mão de obra na agricultura. Então, sua família, então, assentou-se no Pará.

Airão Velho integrou o Ciclo da Borracha.

No início dos anos 1970, ele e um grupo de amigos partiram para a Amazônia em busca de trabalho, e estabeleceram-se às margens do Rio Negro. Ele chegou a Airão Velho em 2001, quando a cidade estava abandonada havia quase 70 anos. O vilarejo teve seu auge econômico durante o período do Ciclo da Borracha, quando a região era movida pela exploração do látex. Com o declínio da produção, aos poucos, quem morava ali se mudou para outras regiões.

A localidade está a 180 quilômetros de Manaus e também foi o berço da colonização portuguesa no Norte do Brasil, como pode ser visto em seu único cemitério, onde estão enterradas gerações inteiras. A família lusitana Bezerra “mandava” na cidade. Foi um de seus membros que pediu, pessoalmente, a Nakayama que cuidasse dali. E ele aceitou. “Meu sonho desde criança era viver na floresta amazônica”, diz ele, em seu carregado sotaque japonês.

Único habitante da cidade recebe turistas. 

Nakayama diz ter tido ajuda de dois amigos para avançar sobre o mato que havia tomado Airão Velho. Hoje, recebe e guia turistas, a maioria estrangeiros, mas recusa-se a cobrar entrada. Em troca, recebe comida e doações dos visitantes. Em sua pequena casa de madeira, de apenas três cômodos e chão de terra, montou um pequeno museu onde reuniu objetos históricos recolhidos nas imediações.
Dorme em uma modesta cama de solteiro, gasta pelo tempo. Planta o que come – longe dali, diz, já que a área é de preservação ambiental. E, todos os dias, cuida de “sua” cidade, andando sempre com um facão – ou um terçado, como dizem amazonenses – como forma de proteção.

A tecnologia quase não existe por lá, a não ser pelo pequeno televisor movido por um gerador de energia e um antigo rádio de pilhas.
“Airão é um patrimônio histórico. Plantação, roçar, derrubar floresta, é completamente proibido. Do jeito que está, tem que deixar assim. É área de patrimônio”, defende Nakayama . Ele ainda diz temer que um dia o local seja esquecido e novamente abandonado: “Se eu sair, a história daqui morre. Todo mundo sabe disso”, conclui. (AG)

 

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