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Brasil O empresário Joesley Batista, da JBS/Friboi, depõe à Polícia Federal e nega ter usado informações privilegiadas para manipular o mercado de ações

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Dono da J&F prestou depoimento na semana passada. (Foto: Reprodução)

Em depoimento à PF (Polícia Federal) na manhã dessa quarta-feira, o empresário Joesley Batista – um dos donos do grupo JBS/Friboi – declarou que “não tinha como saber” a data da divulgação do acordo de delação premiada que fechou com a PGR (Procuradoria-Geral da República), no âmbito da Operação Lava-Jato.

A oitiva foi realizada no inquérito que investiga a venda de ações nos dias que precederam a notícia sobre o acordo e as aplicações no mercado de câmbio. Joesley e o seu irmão Wesley, principais acionistas do grupo e também delatores da força-tarefa, teriam obtido ganhos extraordinários no mercado de compra e venda de dólares e ações do grupo quando o teor das revelações dos executivos estava prestes a ser conhecido.

“Eu não tinha como saber a data da divulgação e nem a extensão do impacto sobre o preço das ações”, argumentou Joesley. Ele também garantiu que houve “regularidade” das operações de venda de ações. O depoimento foi concedido na sede da PF em São Paulo. O empresário chegou ao local por volta das 9h30min, acompanhado de um advogado.

A delação dos Batista mergulhou o governo de Michel Temer em sua pior crise política. As revelações de Joesley levaram o procurador-geral da República Rodrigo Janot a denunciar criminalmente o presidente da República por corrupção passiva no caso JBS/Friboi. A acusação foi barrada na Câmara dos Deputados e, com isso, arquivada antes de chegar ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O suposto uso de informações privilegiadas teria assegurado às empresas dos Batista lucro extraordinário no mercado de dólares e ações com a divulgação do teor das delações. A investigação foi aberta por solicitação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A delação de Joesley e dos outros executivos da JBS foi tornada pública no dia 17 de maio. Menos de 24 horas depois, a Bolsa de Valores “ferveu”. Na avaliação dos investigadores, as empresas do grupo lucraram na aquisição de 2,8 bilhões de dólares e evitaram prejuízo de quase 140 milhões de reais.

Financiamento de campanha

Dos 21 senadores que vão compor no Senado a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ao menos três receberam doações da JBS/Friboi nas eleições de 2014, incluindo o próprio presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O colegiado foi instalado na semana passada e tem como objetivo investigar empréstimos feitos pelo banco de fomento que beneficiaram o conglomerado do setor frigorífico.

Dos cerca de 2 milhões de reais em doações que Alcolumbre recebeu oficialmente naquele ano, 138 mil reais foram oriundos de doações do conglomerado. Além dele, os outros dois membros da mesma CPI que também aparecem na planilha da empresa: são eles os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO) e Paulo Rocha (PT-PA). Os senadores não possuem até o momento inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal Federal).

Conforme o pedido de criação da CPI, de autoria do senador Roberto Rocha (PSB-MA), o colegiado tem como objetivo principal investigar supostas irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES no programa de globalização das companhias nacionais nos últimos 20 anos, com destaque para operações de financiamento do grupo J&F, controlador da JBS/Friboi, cuja delação levou à investigação de Temer.

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