Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de junho de 2026
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6×1 entrou em compasso de espera no Senado. Depois de ganhar tração na Câmara dos Deputados e mobilizar as redes sociais, a proposta foi colocada em banho-maria pela cúpula da Casa, à espera de uma costura política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A avaliação de senadores ouvidos pela coluna Radar Econômico, da revista Veja, é que a tramitação ainda não está desenhada. Nada deve avançar de forma relevante antes de uma conversa reservada entre Lula e Alcolumbre, prevista para ocorrer após o retorno do presidente ao Brasil.
O impasse, neste momento, não está apenas no mérito da proposta, mas principalmente no rito. O Senado não quer ser visto como mero carimbador de um texto de forte apelo popular, mas também tenta evitar o desgaste de parecer contrário a uma pauta que ganhou força entre trabalhadores e nas redes sociais.
Nos bastidores, líderes discutem uma espécie de fórmula de tramitação para dar tempo ao debate e reduzir o custo político da decisão. Entre as alternativas em análise estão uma transição mais longa para eventual mudança na jornada, a escolha de um relator com peso político na Comissão de Constituição e Justiça e a possibilidade de incorporar trechos de propostas alternativas, como a chamada PEC do Trabalho Flexível, defendida por setores da oposição.
A ideia é calibrar o texto para reduzir o impacto sobre comércio, serviços e demais atividades intensivas em mão de obra, sem interditar completamente a discussão sobre a escala 6×1. O Planalto, por sua vez, tenta equilibrar o bônus político de acenar ao trabalhador com a preocupação fiscal e a resistência do setor produtivo.
Depois da conversa entre Lula e Alcolumbre, a tendência é que o texto siga para a CCJ, presidida por Otto Alencar (PSD-BA), mas sem pressa. A estratégia em discussão prevê um cronograma amplo de audiências públicas, com participação de confederações patronais, centrais sindicais, especialistas em mercado de trabalho e economistas.
Na prática, esse freio de arrumação dá ao Senado tempo para esfriar a temperatura das redes e empurrar a definição para um ambiente político menos pressionado. A PEC 6×1 deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a integrar a mesa de negociação entre o Planalto, a cúpula do Congresso e os setores produtivos.
O destino da proposta, hoje, depende menos da velocidade vista na Câmara e mais do desenho político que Lula e Alcolumbre conseguirão construir no Senado. As informações são da revista Veja.
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