Quarta-feira, 10 de junho de 2026

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Economia Jornada de trabalho: redução para 40 horas deve pressionar empresas a investir em automação e terceirização

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O texto prevê uma transição gradual: a jornada semanal cairá inicialmente para 42 horas e, após 12 meses, será reduzida para 40 horas semanais, mantendo os salários atuais. (Foto: Leonardo Conturis/CMPA)

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e estabelece o fim da escala 6×1 acendeu um alerta entre empresas de diversos setores da economia. Especialistas avaliam que a mudança poderá acelerar processos de automação, digitalização e terceirização como forma de compensar o aumento dos custos operacionais previstos com a nova regra.

A proposta foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados e agora segue para análise do Senado. O texto prevê uma transição gradual: a jornada semanal cairá inicialmente para 42 horas e, após 12 meses, será reduzida para 40 horas semanais, mantendo os salários atuais.

Empresas calculam impacto sobre folha e produtividade

Setores intensivos em mão de obra, como comércio, limpeza, segurança, logística, facilities e serviços operacionais, já começaram a projetar os efeitos financeiros da mudança.

Especialistas apontam que a redução da jornada sem diminuição proporcional de salários tende a elevar o custo da hora trabalhada, pressionando empresas a reorganizar escalas, contratar novos funcionários ou buscar soluções tecnológicas para manter produtividade.

Na avaliação de representantes do setor empresarial, atividades que funcionam de forma contínua ou dependem de escalas operacionais poderão enfrentar maior dificuldade de adaptação ao novo modelo.

Automação e inteligência artificial ganham força

Com o avanço da PEC, cresce a expectativa de aceleração dos investimentos em automação industrial, softwares de gestão, autoatendimento e inteligência artificial.

A tendência é que empresas busquem reduzir dependência operacional humana em atividades repetitivas, administrativas ou de baixa complexidade.

Especialistas afirmam que setores como varejo, atendimento ao cliente, logística e serviços administrativos já vinham ampliando investimentos em digitalização e podem acelerar esse movimento caso a nova jornada seja confirmada pelo Congresso Nacional.

Além disso, o cenário pode impulsionar modelos de trabalho mais flexíveis e reorganização de processos internos para ganho de eficiência operacional.

Terceirização pode ganhar espaço

Outro efeito esperado pelo mercado é o avanço da terceirização de serviços como alternativa para redução de custos trabalhistas diretos.

Empresas poderão optar pela contratação de prestadores especializados para atividades operacionais, especialmente em áreas como limpeza, manutenção, segurança patrimonial, logística e suporte administrativo.

Especialistas destacam que a terceirização tende a crescer principalmente entre pequenas e médias empresas que possuem menor capacidade financeira para absorver o aumento estrutural da folha de pagamento.

O tema também reacendeu discussões sobre flexibilização das relações de trabalho e ampliação de modelos alternativos de contratação.

Governo defende melhora na qualidade de vida
Defensores da PEC afirmam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, reduzir casos de esgotamento profissional e aumentar a produtividade no médio prazo.

A proposta conta com forte apoio popular e foi impulsionada pelos debates sobre saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e revisão da escala 6×1.

Segundo o texto aprovado, o novo modelo garantirá dois dias de descanso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos.

Pequenas empresas demonstram maior preocupação
Entre os empresários, a principal preocupação está relacionada à capacidade de adaptação financeira ao novo cenário.

Entidades do setor produtivo alertam que pequenas empresas poderão enfrentar dificuldades para contratar novos funcionários, reorganizar jornadas e manter margens operacionais em um ambiente ainda marcado por juros elevados e crédito caro.

Há também receio de aumento da informalidade e maior pressão sobre setores que dependem de operação contínua, como comércio, transporte e alimentação.

Enquanto o Senado ainda discute a proposta, empresas já iniciam estudos internos para avaliar mudanças em contratos, escalas de trabalho, sistemas de ponto e planejamento de pessoal caso a PEC seja definitivamente aprovada.

 

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