Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de novembro de 2015
“A França acabou para os judeus.” Essa é a opinião de Raphael Marciano, funcionário de um restaurante na rua des Rosiers, que reúne o comércio judeu de Paris (França). Ele se prepara para abandonar suas raízes parisienses e partir para Israel no mês que vem. A decisão, que Marciano justifica pela escalada da ameaça terrorista, é partilhada na comunidade francesa judaica, uma das maiores do mundo.
Cerca de 40 judeus franceses desembarcaram em Tel Aviv no dia 16, segundo uma agência que auxilia o processo de imigração. É o primeiro grupo que parte após os ataques. O comerciante Raphael Murciano, quase homônimo do funcionário do restaurante e dono de padaria, disse que nem todos podem sair. “Quem já tem negócio instalado, como eu, não consegue ir facilmente.”
A mídia francesa chegou a anunciar nos últimos dias que a casa de shows Bataclan, onde 89 pessoas foram assassinadas, fora escolhida por ter donos judeus – eles, porém, já a tinham vendido. Em outras ocasiões, porém, judeus foram alvo de ataques. Em janeiro, um mercado kasher foi alvo nos desdobramentos da chacina no Charlie Hebdo. Em 2012, em Toulouse, três crianças e um adulto foram mortos em uma escola judaica em um ataque por um homem que dizia ser da Al Qaeda.
Desde então, instituições judaicas reforçaram a segurança e a onda de imigração ganhou força. Quase dez mil judeus franceses devem ir para Israel neste ano, superando o recorde de 2014. Para Sylvie Adler, de uma associação da comunidade judaica, os ataques do dia 13 podem reforçar a ideia de que todos estão vulneráveis, não só os judeus. (Folhapress)
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