Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de julho de 2016
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato na primeira instância, homologou os acordos de delação premiada dos empresários Vinícius Veiga Borin, Luiz Augusto França e Marco Pereira de Sousa Bilinski. Eles são sócios em uma empresa de consultoria que, segundo as investigações da Operação Lava-Jato, era usada para movimentar contas de offshores da Odebrecht no exterior.
O Ministério Público Federal (MPF) havia pedido a Sérgio Moro que homologasse a delação premiada deles.
Borin chegou a ser preso na 23ª fase da operação, batizada de “Acarajé”. O termo faz alusão ao apelido que os suspeitos usavam para tratar de propina. Na ocasião, o MPF investigou o chamado “setor de operações estruturadas” da Odebrecht. Essa área, de acordo com os procuradores, servia exclusivamente à movimentação de recursos ilegais pela empreiteira, tais como pagamento de propinas e lavagem de dinheiro.
Conforme o acordo de colaboração, os sócios devem contar como funcionava o esquema, bem como outras atividades ilícitas sobre as quais possam ter participado. Eles terão ainda que pagar multa de R$ 1 milhão, cada.
No primeiro depoimento de Borin, que foi prestado em junho, ele detalhou o funcionamento de algumas contas de offshores da empreiteira. O empresário é um dos donos de um banco em Antígua, um arquipélago no Caribe usado como paraíso fiscal.
Borin disse ter sido procurado pelo executivo Olívio Rodrigues Júnior, que teria pedido a abertura de contas em um banco de Antígua. Na época, Borin trabalhava como funcionário dessa instituição, que acabou falindo e gerando US$ 15 milhões de prejuízo para a Odebrecht.
Depois desse prejuízo, Borin e os outros delatores, junto com Olívio e mais pessoas ligadas à Odebrecht acabaram comprando um outro banco no mesmo país. Foi nessa instituição que eles movimentaram a maior parte dos recursos das offshores. Segundo o MPF, essas empresas foram usadas para direcionar os pagamentos de propinas mantidos pela Odebrecht.
Borin explicou a forma como a empreiteira utilizava as contas. Disse que ele, os sócios e pessoas ligadas à Odebrecht, incluindo Olívio, movimentavam os recursos. De acordo com o empresário, a maior parte do dinheiro que circulou pelas contas tinha origem ilícita. Olívio Rodrigues Júnior também foi detido na Lava-Jato, na mesma ocasião que Borin.
Ainda conforme Borin, as duas instituições em Antígua podem ter movimentado cerca de US$ 2,6 bilhões. O empresário disse que quando a Operação Lava-Jato foi deflagrada, executivos ligados à Odebrecht chegaram a cogitar a compra do banco, para que os documentos referentes às contas pudessem “sumir”.
O delator também foi questionado sobre eventuais contatos com o ex-presidente da Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015. Ele disse que não poderia afirmar se o executivo tinha pleno conhecimento da movimentação dos recursos ilegais. No entanto, de acordo com ele, seria difícil que Marcelo Odebrecht não tivesse conhecimento da prática dos funcionários.
À época do depoimento de Borin, a Odebrecht informou que não ia se manifestar a respeito das declarações do empresário. A Odebrecht e os executivos negociam acordos de colaboração premiada com a Justiça. (AG)