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Brasil Juízes da Operação Lava-Jato participaram juntos de evento na Petrobras, no Rio de Janeiro

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Moro defendeu que Supremo mantenha o entendimento que permite a prisão após condenação em segunda instância. (Foto: Pedro de Oliveira/ ALEP)

Os juízes federais Sérgio Moro e Marcelo Bretas, responsáveis pela Operação Lava-Jato no Paraná e no Rio de Janeiro participam de um evento na sede da Petrobras, no Centro do Rio de Janeiro. Logo no início do evento, Moro falou do grande problema de corrupção na empresa. “A raiz dos crimes vindos da Petrobras foi o loteamento político dos cargos executivos da empresa”, opinou o juiz Sérgio Moro.

Ele, contudo, não citou nomes de políticos e partidos envolvidos. Para ilustrar a afirmação, o juiz federal citou o exemplo de um diretor indicado por um senador que precisava arrecadar valores para a campanha do político. De acordo com Moro, 33 processos foram julgados e 157 pessoas condenadas na Lava-Jato até agora.

Sérgio Moro e Marcelo Bretas participam de encontro na Petrobras sobre combate à corrupção
O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, lembrou que o tema da corrupção é de interesse mundial, e citou o combate às contas em paraísos fiscais como fundamental para lutar contra a corrupção. “Se não combatermos esse mal, vamos ter contas offshore populares. Ou consertamos ou não vamos progredir”, alertou Bretas.

“A justiça não está contra ninguém a não ser contra o malfeitor, venha de onde vier”, afirma Bretas, aproveitando ainda para fazer uma menção a atividades recentes do governo. “Não há lugar para reuniões na madrugada”.

Também participa do evento a secretária de Transparência e Prevenção da Corrupção do Ministério de Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, Cláudia Taya. O presidente da Petrobras, Pedro Parente, lembrou que a empresa já esteve no “olho do furacão”, referindo-se à Operação Lava-Jato. Ele destacou que a empresa hoje prima pela transparência. “ A Petrobras não permite que desvios sejam praticados”, afirmou Parente.

Segundo Parente, é “simbólico” que um evento com a presença de ambos ocorra depois de tantas denúncias de corrupção na empresa. “Diretores desonestos se juntaram a empreiteiras desonestas. A maioria nunca aceitou o que aconteceu aqui dentro”, finalizou Parente.

João Elek, diretor de governança, deu palestra sobre fortalecimento de controles internos. Segundo ele, R$1,5 bilhão que haviam sido retirados dos cofres da empresa por atos ilícitos foram recuperados na quinta-feira (7). “Quando são identificados indícios de algum ato incorreto, nós estabelecemos um canal de denúncias independentes e colaboramos com as autoridades”, explicou.

Protesto

Um grupo de manifestantes protestaram em frente à sede da Petrobras, no Centro do Rio de Janeiro, contra a presença do juiz federal Sérgio Moro na empresa. Funcionários ativos e aposentados da estatal divulgaram nota de nota de repúdio contra a presença do magistrado.

“A Operação Lava-Jato se assemelha mais a uma série de TV, atuando em ‘parceria’ com a mídia monopolista e empresarial e alçando ao estrelato juízes e procuradores que deveriam agir de modo independente e discreto, sem pronunciamentos e ações espetaculosas conforme exige a profissão, opostamente ao que temos assistido. Construiu-se no imaginário da população a ideia de que a corrupção deve ser combatida a qualquer custo, inclusive à revelia das leis, e a atrelaram a uma determinada categoria de pessoas. Logicamente corrupção é um problema sério, mas na prática seu combate não vem sendo efetivo. Com a justificativa de recuperar o dinheiro roubado dos cofres públicos e punir poderosos, a operação avança gerando um rastro de destruição econômica que não é compensada por seus supostos benefícios”, diz parte da nota. 

 

 

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