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Economia Juros altos deixam o Brasil em risco de recessão para 2027

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Os indicadores da economia brasileira têm gerado preocupação para as grandes empresas. (Foto: Reprodução)

Em um cenário com uma taxa básica de juros (Selic) em patamar historicamente elevado, guerras militares e comerciais pelo mundo e incerteza com a situação fiscal do país, os indicadores da economia brasileira têm gerado preocupação para as grandes empresas. Alguns executivos já começam a projetar uma desaceleração econômica em 2027, e há quem já coloque o risco de uma recessão no radar.

Segundo levantamento feito pela Folha de São Paulo com as 76 companhias listadas na Bolsa de Valores do Brasil, a B3, a expectativa dos executivos de parte delas é que a economia cresça menos no próximo ano e que a Selic alta afete ainda mais as operações na comparação com 2026. Os dados levam em conta o conteúdo das teleconferências de resultados do segundo trimestre deste ano.

– Crescimento econômico e consumo: O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), divulgado nesta semana, apontou forte desaceleração da economia brasileira. Considerado a “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br – com ajuste sazonal – registrou crescimento de 0,2% no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior.

Foi o pior resultado desde o terceiro trimestre de 2025, quando foi registrada uma queda de 0,5%. No primeiro trimestre de 2026, o IBC-BR registrou um crescimento de 1,3%.

Somando a prévia do PIB, o consumo das famílias está em queda. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também nesta semana, recuou 0,6% em agosto na comparação com julho. O ICF atingiu 104,9 pontos, contra os 105,5 pontos observados nos dois meses anteriores. Foi o menor resultado do indicador desde março deste ano (104,4 pontos).

De acordo com a CNC, a retração do indicador foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho. O componente de Perspectiva Profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou uma expressiva baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado.

– Empregos e endividamento: Na criação de empregos também há uma desaceleração. O Brasil criou 145,1 mil vagas de trabalho em junho deste ano, segundo dados do último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

Foi o pior resultado para um mês de junho desde 2020, época da pandemia da Covid-19, quando o país fechou 23,1 mil postos de trabalho, na série sem ajustes sazonais.

Apesar do resultado mostrar uma recuperação na geração de emprego em relação aos meses de abril e maio, quando o Caged registrou os piores resultados do ano, na comparação com o mesmo mês de 2025, o resultado ainda é de queda – em junho de 2025 a economia brasileira registrou a criação de 161,9 mil vagas de emprego.

No acumulado do primeiro semestre deste ano, foram gerados 921,6 mil empregos formais no Brasil, uma queda de 25% na comparação com o mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,23 milhão de vagas com carteira assinada em todo o país.

Em meio a toda essa desaceleração na atividade, no consumo e no emprego, o endividamento das famílias brasileiras bateu um novo recorde. Em julho, 82% dos consumidores disseram ter algum tipo de dívida a vencer, na mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC.

É o maior nível do indicador desde o início da série histórica da pesquisa e o sexto recorde consecutivo. O percentual de famílias endividadas subiu 0,4 ponto percentual (p.p.) em relação a junho (81,6%) e avançou 3,5 p.p. na comparação com julho de 2025 (78,5%).

Apesar da alta do endividamento, a inadimplência recuou levemente. A parcela de famílias com contas em atraso teve uma pequena melhora, ao passar de 29,9% para 29,8% entre junho e julho. No mesmo mês de 2025, a taxa era de 30%.

– Continuidade de deterioração pode gerar risco de recessão: Para o economista e conselheiro de política econômica da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Stefan D’Amato, ainda é precipitado afirmar que o país caminha para uma recessão em 2027. Há sinais importantes de perda de dinamismo na atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis à Selic e às condições de crédito, mas eles ainda convivem com um mercado de trabalho relativamente forte.

Ele aponta que o consumo das famílias é um dos principais pontos de atenção. O endividamento alto, com juros nas alturas e crédito mais caro, reduz o espaço disponível no orçamento e limita novas decisões de consumo.

Esse processo tende a atingir primeiro os bens de maior valor e aqueles mais dependentes de financiamento, explica o economista. Caso o cenário persista, pode gradualmente alcançar outros segmentos da economia.

Na indústria, há sinais mais evidentes de enfraquecimento, enquanto os setores de comércio e serviços mostram menos intensidade. A situação é compatível com os efeitos defasados da política monetária, afirma D’Amato, já que os juros elevados não atingem toda a economia imediatamente, mas reduzem progressivamente o consumo, o investimento e a produção.

O “colchão” para a economia brasileira neste momento continua sendo o mercado de trabalho. Stefan D’Amato analisa que emprego e renda ajudam a sustentar o consumo e impedem, até aqui, uma deterioração mais generalizada da atividade econômica. “Esse é um ponto fundamental para diferenciar o cenário atual de uma economia efetivamente entrando em recessão”, diz.

Hoje, o mais provável é que o Brasil registre um crescimento mais fraco em 2027, não necessariamente de recessão. O sinal de alerta, avalia o economista, seria uma combinação entre continuidade da desaceleração da atividade, famílias mais endividadas e, principalmente, deterioração do emprego e da renda.

“Se esses movimentos ocorrerem simultaneamente, o risco de recessão aumenta consideravelmente. Por enquanto, temos sinais amarelos importantes, mas ainda não há sinais suficientes para afirmar que uma recessão esteja contratada para 2027”, analisa D’Amato. As informações são do jornal O Tempo.

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