Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 11 de maio de 2021
Pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT, Ciro Gomes foi condenado a indenizar em R$ 100 mil o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira por ofensas pessoais proferidas contra o emedebista nas redes. Eunício pretende doar o dinheiro a uma instituição de combate ao uso de drogas.
Em despacho publicado no último dia 3 de maio, o juiz Gerardo Magelo, da 15ª Vara Cível do TJCE (Tribunal de Justiça do Ceará), condenou o pedetista ao considerar que as declarações dele nas redes, contra Eunício, “desbordam o razoável” e possuem “nítido intuito de atingir a imagem do autor e ofender”.
Entre outras coisas, Gomes se referiu a Eunício nas redes como o “maior corrupto da história moderna do Ceará”. Também chamou o emedebista de “o corrupto que queria comprar o Governo do Ceará”.
“Não se pode olvidar que os insultos proferidos pelo réu desbordam o razoável, pois os adjetivos utilizados possuem o nítido intuído de denegrir a imagem do autor e ofender a sua honra, caracterizando, assim, inegável ataque à dignidade da pessoa humana, direito este igualmente previsto na Constituição Federal e um dos fundamentos da República Federativa do Brasil (art. 1º, III, CF/88)”, escreve o juiz na sentença, ainda passível de recurso.
“Dessa forma, forçoso concluir que a hipótese em tela evidencia situação que foge à normalidade, atingindo a esfera pessoal do autor”, segue o magistrado.
“Ante o exposto, com fundamento no artigo 487, I, do Código de Processo Civil, julgo procedente o pedido formulado na inicial, para o fim de condenar a ré ao pagamento de indenização no valor de R$ 100.000,00, observando-se correção monetária a partir do arbitramento e juros de mora legais a partir da citação. Em razão da sucumbência, arcará o réu com o pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios que fixo em 10% do total da condenação”, conclui o juiz.
“Tratoraço”
Gomes usou as redes sociais para criticar a compra superfaturada de tratores em troca de apoio do Congresso Nacional, esquema que seria comandado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, por meio dessa prática, intitulada de “tratoraço”, o mandatário reservou um orçamento secreto de R$ 3 bilhões em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas.
Apontado como presidenciável do PDT para 2022, Ciro defende que a criação do orçamento secreto deve ser investigada. “Excelente reportagem de Breno Pires, no Estadão, confirma algumas coisas que venho dizendo há meses: a roubalheira aumentou e se disfarçou, como nunca, no governo Bolsonaro. O festival de emendas do aluguel do Centrão é um crime gigantesco que precisa ser apurado e punido”, diz o pedetista.
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