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Brasil A Justiça condenou o “médium” João de Deus a mais 40 anos de prisão por crimes sexuais

Essa é a terceira condenação do médium João de Deus e penas já somam mais de 63 anos.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Sentenças contra o líder espiritual já somam mais de 60 anos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O “médium” João de Deus, 77 anos, recebeu nessa segunda-feira uma pena de 40 anos de prisão. A acusação afirma que ele estuprou cinco mulheres durante atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior do Estado de Goiás. O processo corre em segredo de Justiça.

A sentença foi assinada pela juíza Rosângela Rodrigues dos Santos, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Condenado em outros dois processos, ele soma 63 anos e quatro meses de reclusão. Ela considerou a idade do réu como atenuante, mas levou em consideração o fato de os crimes terem sido cometidos sob o argumento de “ministério da fé”.

Preso desde desde 16 de dezembro de 2018, o médium ainda responde por nove acusações de crimes sexuais. A sua primeira condenação nesse âmbito foi definida em 19 de dezembro do ano passado, quando a Justiça fixou 19 anos e quatro meses de reclusão por quatro estupros.

Antes disso, ele já havia sido sentenciado a quatro anos por posse ilegal de arma-de-fogo. Correm contra João de Deus, ainda, um processo por corrupção e outro por falsidade ideológica.

Trajetória

Nascido em 1942 no povoado de Cachoeira da Fumaça (GO), João de Deus se mudou ainda criança com os pais e cinco irmãos para Itapaci, cidade na mesma região onde nasceu, tendo estudado até o segundo ano do ensino fundamental. Em sua biografia, ele relata que a sua primeira experiência mediúnica ocorreu aos 9 anos, quando previu a chegada de uma grande tempestade sobre a região onde visitavam parentes noEstado.

No dia seguinte ao temporal, ele caminhava próximo a um rio quando teria visto um clarão e ouvido uma voz o chamando, dizendo que ele deveria procurar um centro espírita próximo. “Naquele momento desmaiei, acordando horas depois com várias pessoas ao meu redor, explicando que eu havia incorporado uma entidade espiritual chamada “Rei Salomão”, conta no livro. “Naquele dia, curei cerca de 50 pessoas.”

João de Deus teria começado então a atender pessoas, realizando procedimentos conhecidos como “cirurgias espirituais” e ficando conhecido como curandeiro. Ele chegou a ser acusado, na época, por praticar ilegalmente a Medicina. Depois, também foi acusado de sedução de uma menina menor de idade. Acabou absolvido por falta de provas.

De acordo com a revista “Época”, ele já foi acusado também de atentado ao pudor, contrabando de minério e assassinato. Em nenhum dos casos foi julgado culpado. Na Ditadura Militar, ele se mudou para Brasília, onde trabalhava como alfaiate do Exército e, paralelamente, exercia “curas espirituais”, suposta ganhando com isso a proteção de militares.

O “médium” fundou em 1976 a Casa Dom Inácio de Loyola, onde continuou realizando os atendimentos. Passou a receber pessoas de todo o mundo, em busca de amparo para os mais variados problemas de saúde. O local ficou mundialmente conhecido depois que artistas de Hollywood (Estados Unidos) foram ao local.

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