Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de setembro de 2026
O ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que o Instagram remova, em 24 horas, um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master e ao filme “Dark Horse”.
A decisão atende a um pedido do PL contra o perfil @lulapelaverdade. Segundo o partido, a publicação relaciona investimentos do Rioprevidência no Banco Master ao financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e acusa Flávio e Eduardo Bolsonaro de envolvimento em lavagem de dinheiro.
O caso ocorre em meio à investigação da Polícia Federal (PF) sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Documentos tornados públicos em setembro mostram que a PF apura a estrutura financeira da produção e a origem dos recursos destinados ao projeto. Flávio Bolsonaro passou a figurar formalmente entre os investigados no inquérito relacionado ao filme.
Segundo a PF, um plano de negócios encontrado no celular do banqueiro Daniel Vorcaro previa investimento de até US$ 24 milhões na produção e projeções de bilheteria que chegavam a US$ 100 milhões. Os investigadores apontaram uma diferença entre as estimativas do projeto e os resultados históricos do mercado cinematográfico brasileiro.
A apuração também examina a relação financeira entre Vorcaro e a produção. Segundo informações divulgadas após a quebra de sigilo do material, o ex-banqueiro do Master teria destinado cerca de US$ 10,6 milhões ao filme, de um montante de US$ 24 milhões negociado para o projeto. A investigação busca esclarecer a estrutura dessas operações e a eventual finalidade dos recursos.
Em paralelo, outro inquérito no Supremo Tribunal Federal investiga suspeitas relacionadas ao uso de recursos públicos para financiar o filme. Em 10 de setembro, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas à produção, em operação autorizada pelo ministro Flávio Dino. A apuração envolve suspeitas de desvio de emendas parlamentares.
A associação feita pelo vídeo removido pelo TSE envolve ainda os investimentos do Rioprevidência no Banco Master. O fundo de previdência dos servidores do Rio de Janeiro aplicou recursos na instituição financeira, relação que passou a ser mencionada em conteúdos sobre a origem do dinheiro destinado ao filme. A decisão de Nunes Marques, porém, não conclui sobre a existência de vínculo ilícito entre esses investimentos e o financiamento de “Dark Horse”.
Para Nunes Marques, o vídeo ultrapassou os limites da crítica política. “A associação do nome do pré-candidato a pessoas investigadas ou a fatos criminosos, sem comprovação concreta, possui aptidão para atingir sua honra e imagem perante o eleitorado e, no contexto de disputa política pré-eleitoral, para produzir rejeição eleitoral antecipada”, escreveu.
Além da remoção do vídeo, o ministro determinou que o Instagram forneça, também em 24 horas, os dados cadastrais e os registros de acesso capazes de identificar o responsável pelo perfil @lulapelaverdade.
A ordem alcança ainda reproduções do conteúdo publicadas por outros perfis, inclusive versões modificadas para driblar os mecanismos de detecção da plataforma. Nunes Marques proibiu a republicação do material e estabeleceu multa em caso de descumprimento.
A decisão é liminar e ainda será submetida a referendo do plenário do TSE. Os responsáveis pelo vídeo deverão ser citados para apresentar defesa. A investigação sobre o financiamento de “Dark Horse” e as suspeitas relacionadas ao Banco Master seguem em andamento, sem conclusão definitiva sobre eventual prática de lavagem de dinheiro por Flávio Bolsonaro. (Com informações da CNN Brasil)
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