Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2026
A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal acusando Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, e outros 11 ex-executivos da varejista, pela fraude de R$ 25 bilhões na companhia. Com isso, uma ação penal é aberta, colocando os investigados na condição de réus.
A denúncia foi apresentada em março de 2025, listando 28 manobras fraudulentas cometidas por esses executivos, incluindo crimes como organização criminosa, manipulação do mercado de capitais, uso indevido de informações privilegiadas e falsidade documental. Nem todos os executivos incluídos na denúncia foram convertidos em réus, caso de Márcio Cruz.
A lista de executivos incluídos na ação penal inclui 12 nomes, segundo uma fonte a par de processo:
Miguel Gutierrez
Anna Christina Saicali
José Timotheo de Barros
Anna Cristina Sotero
Luis Augusto Saraiva Henriques
Carlos Eduardo Rosalba Padilha
Murilo dos Santos Correa
João Guerra Duarte Neto
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Maria Christina Ferreira do Nascimento
Raoni Lapagesse Franco Fabiano
Fabien Picavet
O argumento da procuradoria é que os executivos atuavam de forma coordenada, mirando em elevar ou manter alta a cotação das ações da companhia de forma a garantirem vantagens indevidas ou lucro ao inserirem receitas fictícias no balanço financeiro da varejista.
Informações prestadas pelos ex-diretores Marcelo da Silva Nunes e Flávia Pereira Carneiro, que assinaram acordo de delação com a Justiça, foram usadas para embasar a denúncia oferecida pelo MP. A peça da procuradoria sustenta que Gutierrez “planejou, ordenou e executou a fraude”, tendo os ex-executivos Anna Saicali, Timotheo Barros, Márcio Cruz e Carlos Padilha atuando no núcleo central de decisões fraudulentas.
Anna Saicali era CEO da B2W e, por isso, comandava as fraudes no braço de comércio eletrônico da companhia. Em 2022, a B2W e a Lojas Americanas foram fusionadas, com a criação da Americanas S.A. Timotheo de Barros fazia um meio de campo entre o topo da empresa e escalões inferiores, enquanto Fabien Picavet, ex-diretor de Relações com Investidores da Americanas, atuava na manipulação do mercado de capitais fornecendo informações falsas a analistas.
O esquema montado pelos executivos para maquiar resultados e enganar instituições financeiras, auditorias e fornecedores perdurou por sete anos, afirma o MPF. A primeira prova de fraude levantada pela procuradoria é de fevereiro de 2016, com atividades seguindo até a saída de Gutierrez da Americanas, em dezembro de 2022.
No início de janeiro de 2023, Sergio Rial, ex-CEO do Santander, assumiu o comando da Americanas. Em nove dias, porém, renunciou ao cargo, quando eclodiu o escândalo sobre o uma inconsistência contábil em balanços financeiros da companhia, mais tarde comprovada com uma fraude praticada de forma sistemática. Isso era feito por meio de operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC). Esses contratos, comuns no varejo, foram usados para inflar o lucro da companhia.
O esquema funciona da seguinte forma: a varejista encomendava um volume de produtos do fabricante por um determinado valor. E colocava condições, como exposição privilegiada dos produtos nas lojas, e metas de comercialização. Ao cumprir essas metas, haveria um desconto no valor devido ao fornecedor. Isso é uma prática recorrente.
A fraude levou a Americanas à recuperação judicial ainda em janeiro de 2023. A companhia passou por uma reestruturação, recebeu aporte bilionário de seus sócios de referência, encolheu a rede de lojas e vem vendendo ativos.
As investigações sobre quem atuou no esquema vêm avançando em diferentes frentes. A Polícia Federal já realizou duas fases da chamada Operação Disclosure. Na etapa cumprida em junho deste ano, foram determinadas nove buscas e apreensão envolvendo os acionistas da empresa e altos executivos de instituições financeiras.
Procurada, a Americanas informou que não teve acesso à decisão. E reforçou que “foi vítima de uma fraude estruturada e de natureza dolosa cometida pelos ex-executivos que, ao longo de anos, manipularam controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado, em violação direta aos deveres fiduciários inerentes aos cargos que ocupavam e à legislação do mercado de capitais”.
O MPF e a 6ª Vara Federal Criminal não comentaram, destacando que o processo tramita sob segredo de justiça.
A defesa de Gutierrez e de Anna Saicali não comentaram. Antonio Pitombo, advogado de defesa de Timotheo de Barros, diz que o primeiro recebimento pela Justiça Federal da acusação apresentada pelo MPF é “um ato formal sem juízo de mérito quanto à denúncia”. E acrescenta que “é uma excelente oportunidade para mostrarmos, de vez, a inocência do nosso cliente”. (Com informações do portal O Globo)
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