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Variedades Lar de celebridades, aspirantes a celebridades, letreiros icônicos e calçadas estreladas, Hollywood ganha museu do cinema

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Visão da cúpula do Academy Museum of Motion Pictures, que abriga um teatro com capacidade de 1.000 pessoas. (Foto: Divulgação)

Lar de celebridades, aspirantes a celebridades, letreiros icônicos e calçadas estreladas, Los Angeles é a capital da indústria cinematográfica. Agora, na próxima quinta-feira, dia 30, a cidade americana ganhará um novo ponto turístico: o aguardado Academy Museum of Motion Pictures, museu de sete andares e 28.000 m² dedicado à história do cinema, presidido pela mesma Academia que coordena o Oscar. Mas, invés de ser apenas uma vitrine do brilho hollywoodiano, a instituição vem com o objetivo de apresentar uma história não-linear da indústria, a incluir reflexões que encaram erros do passado.

O resultado, depois de muitos atrasos na inauguração, orçamento beirando mais de 484 milhões de dólares, abalos na administração e distúrbios pandêmicos, é uma bem-vinda visão crítica dos caminhos do cinema até aqui. Com mostras que salientam a “branquitude” como norma, ou mesmo a enfadada visão sexista sobre mulheres na indústria, o museu é uma consagração definitiva das sacudidas trazidas pelos movimentos #OscarsSoWhite e #MeToo. “Estamos celebrando a produção de filmes, mas também tendo conversas difíceis sobre componentes de nossa história dos quais somos menos orgulhosos”, disse o diretor Bill Kramer. “Precisamos falar honestamente sobre quem somos enquanto indústria.”

Mesmo que limitada pelo vínculo com o Oscar, a Academia não se esquiva de abordar assuntos espinhosos. Há, por exemplo, a galeria Impact/Reflection, dedicada a filmes que discutem Black Lives Matter, #MeToo, relações trabalhistas e mudanças climáticas. Uma exposição reflete sobre os diretórios racistas de 1939, que segregavam artistas não-brancos em seções separadas e que, mesmo depois da unificação das categorias, continuaram em vigor pela exclusão total de negros e asiáticos em nomeações. Na seção de figurinos e maquiagens, há caixas de vidro que comportam cosméticos de “blackface” e “yellowface” – estilos de tintura facial usados para que atores brancos pudessem interpretar personagens não-brancos, muitas vezes de forma estereotipada. Em outra sala, telas gigantes rotacionam discursos notáveis do Oscar e expõem o ritmo vergonhosamente lento do processo de inclusão, com Rita Moreno, a primeira atriz latina a vencer uma estatueta, em 1962, ao lado de Chloé Zhao, a segunda mulher (e a primeira não-branca) a ganhar a categoria de melhor direção, em 2021. É uma guinada que marca a decadência da mea culpa feita pela Academia até pouco tempo atrás, que se eximia de discussões sobre diversidade e inclusão ao alegar que não fazia os filmes, apenas honrava os que eram feitos.

Mas não é só de reparações históricas que se vale o museu. A exposição principal, Histórias do Cinema, toma três andares, a começar com uma montagem de 700 filmes da família Spielberg que se desdobra em uma série rotativa de filmes e cineastas influentes no ramo, como o canônico Cidadão Kane ou o ator e artista marcial Bruce Lee. Há espaços dedicados a Spike Lee, Hayao Miyazaki e Pedro Almodóvar, e uma galeria que parte de O Mágico de Oz para explorar os bastidores da indústria, indo de roteiro e elenco a design de produção, maquiagem, efeitos especiais e figurinos. Objetos icônicos, como os sapatinhos vermelhos da Dorothy, de Oz, o protagonista Bruce do filme Tubarão e a cabeça de alienígena de Alien também estão em exibição.

Desenhado por Renzo Piano, arquiteto por trás do parisiense Centro Pompidou, o museu era um sonho da indústria cinematográfica desde a primeira cerimônia do Oscar, em 1929. Foi só em 2012 que a empreitada começou a de fato ganhar contornos definitivos, mas uma série de entraves financeiros empurrou a construção para 2015, com a promessa de inauguração em 2017. Desde então, todos os anos que se seguiram carregavam a esperança do lançamento, até que, em 2020, Tom Hanks anunciou, durante a entrega de estatuetas do Oscar, que o museu finalmente chegaria ao final do ano. A pandemia, é claro, tinha outros planos. O Academy Museum of Motion Pictures finalmente verá a luz do dia no próximo dia 30 – depois de uma epopeia digna de roteiro de ficção.

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