Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de outubro de 2015
Desde que o doleiro Alberto Youssef, um dos pivôs da Operação Lava-Jato, afirmou, em delação premiada, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “tinha conhecimento” das irregularidades cometidas na Petrobras, o PT está em alerta quanto a um suposto uso político das investigações para atingir seu principal líder. Na última semana, os níveis de preocupação atingiram grau máximo com as citações a nomes do entorno de Lula na delação de Fernando Soares, o Fernando Baiano, outra peça-chave da operação.
Baiano, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, disse que o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, avalizou um pagamento de propina ao ex-diretor da estatal Nestor Cerveró. Ele afirmou ainda que, a pedido do mesmo Bumlai, pagou contas de uma das três noras do ex-presidente.
O periódico apurou que Lula está preocupado com o surgimento do nome de Bumlai nas investigações. A proximidade entre ambos, intermediada, no início da amizade, ainda em 2002, pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS), é hoje um flanco de vulnerabilidade em relação ao ex-presidente e sua família, segundo um empresário que conversou com ele.
Auditoria
Para tentar tranquilizar o partido, Lula informou ao PT ter determinado a realização de uma espécie de auditoria no patrimônio de toda a sua família, incluindo os cinco filhos e seus cônjuges. Nos bastidores do PT, o suposto enriquecimento de Luís Cláudio e de Fábio Luís, o Lulinha, filhos do ex-presidente, é um dos pontos centrais do nível de atenção. Em outubro, o jornal revelou que a LFT Marketing Esportivo, pertencente a Luís Cláudio, recebeu 2,4 milhões de reais da Marcondes & Mautoni Ltda., empresa investigada por supostamente ter pago pela edição de uma medida provisória em favor de montadoras de veículos durante o governo Lula (2003-2010).
Defesa
O Instituto Lula e a defesa de Lulinha negam que qualquer dos filhos do ex-presidente ou suas noras tenham recebido dinheiro do lobista ou de Bumlai. O comunicado acalmou o partido, que temia danos à imagem de Lula. Desde o início de agosto, o PT detectou o que chama de uma ofensiva contra ele. O presidente do partido, Rui Falcão, chegou a dizer que se tratava de uma tentativa de atingir a sigla.
(Alberto Bombig e Ricardo Galhardo/AE)
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