Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 18 de outubro de 2015
Informações repassadas pela Procuradoria-Geral da República ao STF (Supremo Tribunal Federal) mostram que uma das contas atribuídas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem como testas de ferro pessoas de Cingapura, Austrália, Argentina e Uruguai. O uso de laranjas é um recurso empregado para tentar dissimular o real proprietário de um bem.
A offshore Netherton Investment tem como responsáveis duas mulheres, uma de Cingapura e outra da Austrália. Já um argentino e um uruguaio abriram uma conta em nome da empresa no banco suíço Julius Baer. O uruguaio é Luis Pittaluga, que também ajudou o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a abrir conta na Suíça.
Os documentos em poder do MP (Ministério Público) mostram, entretanto, que o real beneficiário da conta é Eduardo Cunha. Ela foi aberta em 2008, mas acabou sendo alvo de bloqueio judicial em 2015, com saldo de 2,3 milhões de dólares.
O material repassado pelo MP da Suíça ao Brasil embasou a abertura de novo inquérito no STF para investigar se o parlamentar e familiares dele estão envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras. Em nota, Cunha disse manter as declarações feitas no depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito, negando ter contas secretas no exterior.
Mais envolvidos
Com a autorização do STF para iniciar as apurações, investigadores preparam o cruzamento de dados para descobrir o caminho que o dinheiro percorreu ao passar pelas contas no exterior atribuídas ao deputado e familiares. A ideia é avaliar se Cunha realizou transações que beneficiaram outros envolvidos nos desvios da estatal.
Os documentos indicam entradas de 31,2 milhões de reais e saídas de 15,8 milhões de reais, entre 2007 e 2015, em valores corrigidos, nas contas de Cunha e da mulher dele, Cláudia Cruz. Os depósitos e retiradas foram feitos em dólares, francos suíços e euros.
O deputado, a esposa e uma de suas filhas, Danielle Cunha, serão investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidirá se oferecerá denúncia ao STF contra os três. A Procuradoria não pode pedir prisão temporária do peemedebista por ele ser parlamentar. A Constituição só permite que um deputado seja preso em caso de flagrante de crime inafiançável ou após sentença transitada em julgado.
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