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Capa – Magazine Leonardo DiCaprio: A última estrela de Hollywood?

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Em agosto, o astro americano anunciou que sua fundação doaria US$ 5 milhões a um fundo emergencial. (Foto: Reprodução)

Não há muita divergência quando o assunto é o talento de Leonardo DiCaprio, acho que todos podemos concordar no que diz respeito à excelência como ator. O debate aqui é como, mais do que um profissional competente da indústria cinematográfica, ele se transformou em uma das marcas mais lucrativas e cobiçadas de Hollywood.

Em 2016, quando concorreu ao Oscar pela quinta vez, quase levou a Internet abaixo ao receber a cobiçada estatueta dourada por seu papel em O Regresso. Estampa também alguns dos memes mais queridos dos últimos anos, seja na pele de Jay Gatsby e sua taça levantada, no solitário mergulho na praia à procura de Rose ou na dancinha de Jordan Belfort, em O Lobo de Wall Street. Protagonista da polêmica mais repercutida entre os fãs de cinema: afinal, ele cabia ou não na porta junto com Rose? Seguido por 33,4 milhões de pessoas no Instagram, sem postar sequer uma única selfie – sim, eu chequei as 1.050 postagens do perfil, o mais próximo de ver seu rosto está nas imagens ao lado de líderes globais; de divulgação dos filmes em que estrela; dele salvando elefantes e macaquinhos em algum lugar do mundo, além de alguns poucos vídeos alertando sobre os perigos das mudanças climáticas para a humanidade.

Nesta era em que presença nas redes sociais é a moeda corrente, a ausência de fotos pessoais combinada ao uso da página para ativismo ambiental não só demonstram a força do nome de Leo, como confirmam o sucesso da ousada estratégia de marketing do artista. Diante do que parece ser um “unicórnio em Hollywood”, o site The Hollywood Reporter não hesitou e deu ao eterno Jack Dawson a chancela de “último grande astro” do cinema americano.

O THR parte da seguinte premissa: “DiCaprio é capaz de arrecadar centenas de milhões de dólares sem precisar usar uma capa ou empunhar um sabre de luz”, uma referência clara à Marvel, DC e Lucasfilm – Inclusive, para alguns chefes de estúdio, Leo não atua em franquias porque ele é uma franquia por si só. O astro também não trabalha com agentes, mas sim com um único manager – algo atípico na indústria –, Rick Yorn, que está ao seu lado há 27 anos. Na lei americana, há algumas diferenças entre os dois profissionais, mas, basicamente, os agentes trabalham com a parte contratual, tendo liberdade para assinar documentos em nome dos atores, enquanto o manager é responsável por pensar e definir os próximos passos da carreira. Em outras palavras, Leonardo DiCaprio é um ator que valoriza orientações e feedbacks e prefere ter o controle sobre a parte contratual, que também envolve as negociações salariais.

O site diz ainda que Leo é diferente de seus colegas de indústria por conta de sua consistência, prestígio e rentabilidade. “Na verdade, ele é indiscutivelmente o único superastro global em uma indústria cinematográfica cujo grupo de atores regularmente veste roupas coladas e sabres de luz para arrecadar bilhões de dólares em bilheteria – e ainda são ignorados pelo público fora das franquias. Ao contrário de Will Smith, Jennifer Lawrence e Robert Downey Jr., DiCaprio está sozinho no topo do panteão de Hollywood. […] Enquanto Smith faz produções originais da Netflix e um remake da Disney, Lawrence está em uma fase ruim e Downey só ganha dinheiro como Tony Stark, DiCaprio continua selecionando projetos que, em teoria, parecem arriscados – normalmente para um público acima de 18 anos, com mais de 2 horas e meia de duração e com orçamentos chegando a no máximo 80 milhões – apostas que valeram a pena e lhe deram uma quantidade inigualável de poder”.

Os números do ator realmente são impressionantes e ele traz bastante credibilidade para as produções em que atua. Para se ter uma ideia, os últimos 10 filmes em que estrelou somam 3.3 bilhões de dólares em bilheteria mundial, sendo que 8 deles ultrapassaram a marca de 100 milhões de dólares. Três de seus últimos cinco filmes foram indicados ao Oscar de melhor filme. No entanto, há dois fatores importantes que o THR não leva em consideração ao dizer que ele é a única estrela restante em Hollywood. Por mais impressionante que o marketing de Leo seja, não se pode negar que:

1. Ele é um homem branco em uma indústria machista e racista, o que não anula seu talento, mas certamente evidencia seu privilégio;

2. Um ator não é menos “estrela” por fazer filmes baseados em histórias em quadrinho ou habitados em uma galáxia muito, muito distante. Inclusive, Will Smith esteve no quinto filme de maior arrecadação de 2019 (Aladdin) e Robert Downey Jr. ajudou a dar forma a uma das franquias de maior sucesso de público e crítica na história do Cinema. Isso sem falar que Lupita Nyong’o, a Nakia de Pantera Negra, ganhou um Oscar em sua primeira indicação; Mahershala Ali tem dois Oscars e vai interpretar Blade no cinema; uma vencedora do Oscar é a Capitã Marvel (Brie Larson), J.K Simmons ganhou um Oscar por Whiplash – Em Busca da Perfeição e ainda assim retornou à franquia Homem-Aranha.

Atuar em megaproduções realmente torna alguém menos digno do status de estrela? Algum dos atores citados foi “ignorado” pelo público fora de suas respectivas franquias?

Talvez o maior mérito de Leo, além de sua incrível capacidade de curadoria de papéis, esteja no fato de se associar constantemente a grande diretores, incluindo parcerias com Martin Scorsese (cinco, para ser mais exata), James Cameron, Clint Eastwood, Quentin Tarantino, Christopher Nolan, Baz Luhrmann, Sam Mendes, Ridley Scott, Steven Spielberg, Danny Boyle e Alejandro G. Iñárritu.

Leonardo DiCaprio pode ser visto nos cinemas brasileiros em Era Uma Vez em… Hollywood, dirigido por Quentin Tarantino. Atualmente, ele está trabalhando na sexta parceria com Scorsese, o longa Killers of the Flower Moon, ainda sem título oficial em português.

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