Segunda-feira, 06 de Abril de 2020

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Brasil O líder do governo no Senado tem seus bens bloqueados pela Operação Lava-Jato

O TRF-4 determinou que o senador Fernando Bezerra tenha até R$ 258 milhões congelados por desvios no esquema da Petrobras. (Foto: Reprodução)

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), está entre os alvos da Operação Lava-Jato que tiveram R$ 3 bilhões bloqueados por ordem do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4.ª Região), em ação de improbidade contra o MDB e o PSB e políticos do partido, por desvios em negócios relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras.

Fernando Bezerra terá congelado até R$ 258 milhões, junto com o espólio do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB em 2014 morto em acidente de avião durante a campanha. O senador – que era do PSB e atualmente é do MDB – é o relator do projeto que transforma em lei a Medida Provisória 870 que reestruturou a Esplanada, e responsável por representar o governo do presidente Jair Bolsonaro em negociações importantes no Senado.

Bolsonaro esteve nesta sexta-feira (24), em Petrolina, com Fernando Bezerra, cidade de Pernambuco onde foi prefeito e atualmente governada pelo filho, Miguel Coelho. O município foi escolhido para a primeira visita oficial do presidente à região Nordeste, desde que assumiu o governo. É lá que estão as piores avaliações da gestão – para 40% dos nordestinos, o governo é ruim ou péssima, segundo dados do Ibope. Na agenda, o presidente lança o PRDNE (Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste), elaborado pela primeira vez, no âmbito da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).

Segundo a Lava-Jato, o PSB, Fernando Bezerra, o ex-governador Eduardo Campos e seu aliado Aldo Guedes, entre outros, teria recebido propinas desviadas da obra de construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – maior obra de refinaria do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a ação, houve pagamento de R$ 40 milhões de propinas das empreiteiras Queiroz Galvão, OAS e Camargo Correia, nos negócios relacionados ao grupo.

A Lava-Jato afirma que as investigações revelaram que o jato usado por Eduardo Campos e mais seis pessoas, que caiu no dia 13 de agosto de 2014, no Guarujá (SP) durante uma agenda de campanha presidencial pelo PSB, foi comprado em parte com dinheiro de propina. O jato Cessna Citation, 560 XLS, prefixo PR-AFA, era usado por Campos e foi adquirido por João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho por R$ 1,7 milhão.

Bloqueios

O TRF-4 – a segunda instância da Lava-Jato de Curitiba – determinou o bloqueio de valores e bens em ação de improbidade administrativa que tem como alvos os partidos MDB e PSB, os senadores Fernando Bezerra e Valdir Raupp (MDB-RO), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), os espólios do ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra (que morreu em 2014) e Eduardo Campos, e as empresas Queiroz Galvão e Vital Engenharia Ambiental.

Na ação, que será julgada pela Justiça Federal em Curitiba, foram apontados desvios em negócios da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, em especial com a construtura Queiroz Galvão, vinculados a serviços em Pernambuco, e pagamentos de propinas na CPI da Petrobras de 2009. O valor total pedido pelo Ministério Público Federal e pela Petrobras – também autora da ação – é de pagamento de R$ 3,45 bilhões.

Assim como havia feito em ação de improbidade contra o PP e políticos do partido, a força-tarefa da Lava-Jato pediu o bloqueio de valores nas contas do MDB e do PSB, mas sem que a ordem atinja verbas do fundo partidário, que não podem ser penhoradas, informou a força-tarefa por meio de sua assessoria de imprensa.

Em cumprimento à decisão do TRF-4, a Justiça Federal de Curitiba já determinou o bloqueio de até: R$ 1,89 bilhão do MDB, de Valdir Raupp, da Vital Engenharia Ambiental, de André Gustavo de Farias Ferreira, de Augusto Amorim Costa, de Othon Zanoide de Moraes Filho, Petrônio Braz Junior e espólio de Ildefonso Colares Filho; R$ 816,84 milhões do PSB; R$ 258,70 milhões de Fernando Bezerra e espólio de Eduardo Campos; R$ 107,78 milhões do espólio de Sérgio Guerra; R$ 333,34 milhões de Eduardo da Fonte; R$ 200 milhões de Maria Cleia Santos de Oliveira e Pedro Roberto Rocha; R$ 162,89 milhões de Aldo Guedes e 3% do faturamento da Queiroz Galvão.

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