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Brasil Líderes do PT já mudam o seu discurso sobre a prisão de Lula. Segundo eles, o ex-presidente irá para a cadeia porque é alvo de perseguição política

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A sessão do STF que negou o habeas corpus durou quase 11 horas. (Foto: Banco de Dados)

Diante da negativa da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, de levar ao plenário da Corte a discussão sobre o início do cumprimento da pena por réus condenados em segunda instância, os petistas mudaram, desde o último fim de semana, a abordagem sobre a iminente prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Líderes do partido já iniciaram nas redes sociais uma verdadeira ofensiva na tentativa de intensificar a versão de que o político que governou o País por dois mandatos consecutivos (2003-2010) irá para a cadeia porque é alvo de perseguição política.

Trata-se de uma espécie de “vacina” para preservar a imagem de Lula, caso se confirme a ordem para que ele inicie o cumprimento da pena de 12 anos e um mês de prisão em regime fechado, no âmbito do processo envolvendo o apartamento triplex do Guarujá (SP).

Até então, os caciques da sigla não vinham falando publicamente de maneira tão clara sobre o risco de Lula ir para a cadeia. Expoentes como o líder petista no Senado, Lindbergh Farias (RJ), também publicaram nas redes sociais um link de um folder para ser impresso e distribuído nas ruas, com o título: “O povo quer Lula livre”.

O texto reitera a versão de que o objetivo da sentença contra o ex-presidente é o “País continuar nas mãos dos ricos”. Afirma, ainda, que prender Lula é “roubar o voto” do eleitor.

Iminência

Entre membros da cúpula do PT, a expectativa é de que a prisão do ex-presidente ocorra no dia 26 de março, a última segunda-feira do mês, quando a 8ª turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) fará a sua primeira reunião ordinária após o fim das férias do desembargador Victor Laus.

Os três integrantes do colegiado poderão analisar, nessa data, os embargos declaratórios apresentados pela defesa de Lula. Depois dessa apreciação, o caso estará concluído na segunda instância, o que preenche os requisitos para o início do cumprimento da pena pelo réu, conforme o atual entendimento do STF.

Em conversas reservadas, Lula vem admitindo que, de fato, espera ser preso nos próximos dias e que já está se preparando para essa hipótese, cada vez mais iminente. No dia 26, ele estará em meio à caravana que iniciará na próxima semana pelos três Estados da Região Sul do País.

No plano traçado pelos dirigentes petistas, entretanto, a pré-candidatura de Lula ao Palácio do Planalto será mantida, mesmo que a prisão seja efetivada. Uma eventual troca do cabeça-de-chapa só ocorreria apenas uma manifestação em definitivo por parte da Justiça eleitoral.

As mais recentes pesquisas de intenção de voto para o pleito presidencial deste ano apontam que, apesar de todo o desgaste que se poderia esperar em relação a um político condenado pela Operação Lava-Jato, Lula continua liderando em todos os cenários. Segundo analistas, uma eventual saída do líder petista da corrida ao Palácio do Planalto deve contribuir para “pulverizar” a disputa no primeiro turno.

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