Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de setembro de 2015
O empresário João Henriques, lobista ligado ao PMDB, afirmou à PF (Polícia Federal) que abriu uma conta na Suíça para pagar propina ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Henriques não especificou valores e nem a data. Segundo ele, a suposta transferência para Cunha está ligada a um contrato da Petrobras relativo à compra de um campo de exploração em Benin (África).
O relato de Henriques amplia as suspeitas sobre Cunha. Outros dois alvos da Lava-Jato, o executivo Júlio Camargo e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, relataram que Cunha recebeu 5 milhões de dólares em propinas na contratação de navio-sonda da Petrobras, em 2006. O presidente da Câmara foi denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por corrupção e lavagem de dinheiro.
O deputado negou ter recebido dinheiro ilícito e tem dito que não é comentarista de delação. Henriques, preso há uma semana, disse à PF que o repasse a Cunha foi um pedido de Felipe Diniz, filho do ex-deputado Fernando Diniz (PMDB-MG) – morto em 2009. O lobista do PMDB disse que não sabia que o destinatário da suposta propina era Cunha.
Henriques afirmou que para fazer a negociação abriu a empresa Acona, com conta no banco BSI, na Suíça. “Esta conta foi bloqueada na Suíça após as autoridades locais terem tomado ciência da reportagem da revista Época de 2013.”
À PF, o lobista do PMDB contou que foi apresentado a um empresário de nome Idalecio de Oliveira, dono de uma área em Benin, na África. Ele afirmou que acreditava que a área tinha um grande potencial de exploração. “Era perto da Nigéria, que era a maior produtora de óleo da costa da África. Eu peguei, o contratei, e o custo foi meu, geólogos que eu conhecia. Eles avaliaram e falaram que a área era ótima. Combinei com Idalecio que ganharia um ‘sucess fee’. Se a gente conseguisse vender, a gente dividiria os lucros. Vendemos esta área para a Petrobras e a Petrobras pagou pela área em torno de 15 milhões de dólares”, destacou.
De acordo com João Henriques, Idalecio de Oliveira ficou com 50% do valor. Ele negou que tenha recebido propina e integrado a organização criminosa que assolou a Petrobras. “Paguei as pessoas, geólogos, todos os custos que eu tive e dei para uma pessoa que tinha me dado a dica a participação. Ele me apresentou o cliente. E todos eles me deram contas que eu transferi. Transferência você faz lá e manda. Você nem sabe pra quem está mandando.”
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