Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2016
“Do ponto de vista do imaginário da sociedade brasileira é importante que estejamos apurando corrupção. Agora, é necessário fazer disso um espetáculo? Fazer disso um Big Brother? Ou isso pode ser feito de forma silenciosa. Alguém já parou para fazer as contas dos efeitos dessa pirotecnia na economia brasileira? Quanto do PIB já caiu por causa disso?”, questionou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro com mais de 20 veículos estrangeiros.
Lula criticou o que ele considera o uso de prisões preventivas para se “pressionar” os acusados a fazerem delações premiadas, os vazamentos seletivos e o que vê como “cumplicidade entre determinados agentes da Polícia Federal, do Ministério Público e da imprensa brasileira”. Também disse que, apesar de “inteligente e competente”, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, poderia estar sentindo os efeitos de uma picada da “mosca azul” – expressão que se refere a pessoas deslumbradas com o poder.
“Quando uma instituição é muito forte, seus membros têm de ser mais responsáveis. Não é todo mundo que suporta o sucesso da câmera de televisão. Vocês são jornalistas e sabem o que é 15 minutos de sucesso. Quanta gente boa e promissora, de um simples lutador de boxe, a um jogador de futebol ou político, se perdeu no caminho por conta da pirotecnia, dos cinco minutos ou cinco segundos de sucesso. Nesse aspecto eu acho que o Poder Judiciário tem de ser exemplar. Não é a manchete de um jornal que tem de absolver ou condenar alguém, mas sim os autos do processo (…) O que estamos vendo é o exagero das pessoas serem execradas publicamente antes de terem cometido um crime”, afirmou o ex-presidente.
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