A combinação dos dois candidatos não agrada alguns analistas, já que tanto Bolsonaro como Lula são caracterizados como populistas e intervencionistas. Para Mário Goulart, analista CNPI da O2 Research, tanto Bolsonaro como Lula oferecem cenários ruins para o País. “Bolsonaro se elegeu com uma plataforma de mais liberalização da economia. Já Lula, sabemos muito bem o que e quem é. O governo dele até foi positivo para a economia do Brasil, mas muito mais pelo que ele não fez do que pelo que realmente fez”, diz.

“Difícil saber como o mercado veria o Lula hoje em dia, mas acho que todo mundo acredita que o PT é mais do mesmo, que iria fazer exatamente o que fez em outros governos, ou seja, uma intervenção desenfreada, medidas populistas em relação a Petrobras, provavelmente corrupção descontrolada. Essa é a expectativa que o pessoal tem do PT”, completa Goulart.

Ainda é possível recorrer da decisão de Fachin, lembra João Beck, economista e sócio da BR Advisors. “Essa notícia não era esperada e, obviamente, nós esperamos alguma burocracia. O Ministério Público pode entrar com algumas medidas e orquestrar algumas tentativas de se reverter essa decisão. Minha opinião é que a situação não vai ficar por isso mesmo”, diz.

Muita coisa pode acontecer no caso de Lula ser confirmado candidato do PT, já que a eleição ocorre em outubro do ano que vem. Segundo Beck, os primeiros impactos podem ser sentidos no dólar. “Essa alta do dólar pode aumentar a expectativa de que o Banco Central eleve ainda mais a taxa de juros, além de impactar na inflação”, diz.

“O Lula candidato pode ser que seja diferente do Lula presidente e tem sido assim em praticamente em toda nossa democracia depois da ditadura, onde o candidato é diferente do presidente. Mas geralmente quando você vira presidente você precisa do mercado ao seu lado, e não só o mercado financeiro, como também, os investidores, dinheiro estrangeiro, porque isso te ajuda a ter um crescimento sustentável”, conclui Beck.