Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020

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Brasil Lula diz que há tentativa de evitar sua volta à Presidência da República

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O ex-presidente disse ainda que Temer está agindo errado em relação a Dilma (Foto: Paulo Campos/Folhapress)

Em entrevista ao jornalista norte-americano Gleen Greenwald, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o processo de impeachment em curso de “um golpe político”, afirmou existir uma “criminalização do PT” e uma tentativa de evitar uma nova candidatura sua à Presidência da República.

Foi Greenwald o autor das reportagens, na época pelo The Guardian, das primeiras informações sobre os programas de vigilância global da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA, na sigla em inglês), em 2013, com base em documentos fornecidos por Edward Snowden.

Ao tecer comentários sobre a crise do País, Lula não isentou o PT pela culpa, mas afirmou que o processo de cassação do mandato de Dilma mora na vontade da oposição em vê-la longe do Palácio do Planalto.

Lula ainda afirmou que, em sua visão, o impeachment é um “golpe político” uma vez que Dilma não teria cometido nenhum crime de responsabilidade. Ele também teceu duras críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que, para ele, “não tem responsabilidade, nem congressual, nem na sociedade” para levar adiante o impeachment.

“O Congresso poderia se respeitar, sabe, levando em conta que não existem condições políticas de fazer o julgamento da Dilma tal como eles estão fazendo.”

A entrevista com Lula foi publicada no novo site do jornalista, The Intercept. Na introdução de sua conversa com o petista, Gleenwald escreveu que Lula “nega veementemente todas as acusações contra ele e se considera uma ‘vítima’ da classe plutocrática ainda poderosa no Brasil e de seus órgãos midiáticos, que moldam a opinião pública”.

Sobre a Lava-Jato, o ex-presidente ressaltou que foi o governo do PT que possibilitou que as investigações da PF (Polícia Federal) ocorressem, ao garantir uma maior autonomia das ações de instituições como o Ministério Público e a PF. Como aspecto positivo da operação, diz ainda que, “pela primeira vez, rico está sendo preso. Porque aqui no Brasil prendia-se um pobre porque roubava pão, mas não prendia-se um rico que roubava 1 bilhão de reais. Prendia-se um pobre porque roubava remédio, mas não prendia um cidadão rico que sonegava imposto de renda”.

No entanto, não deixou de salientar o aspecto negativo da Lava-Jato. Ele frisa se perguntar “todo santo dia” a mesma questão: “será que para você fazer o processo de investigação que você está fazendo é preciso fazer disso um Big Brother, é preciso fazer disso um espetáculo de pirotecnia todo santo dia?”. E disse achar “esquisito” um “processo de vazamento seletivo das notícias normalmente contra o PT”. (AG)

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