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Política Lula é orientado a ignorar Trump sobre Flávio e eleição

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Segundo auxiliares de Lula, a orientação é manter silêncio e aguardar os próximos desdobramentos.

Foto: Ricardo Stuckert
Segundo auxiliares de Lula, a orientação é manter silêncio e aguardar os próximos desdobramentos. (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi aconselhado por integrantes de sua equipe a evitar uma reação pública às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição brasileira e a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) em território norte-americano. A avaliação no Palácio do Planalto é de que responder ao republicano poderia ampliar o desgaste diplomático sem trazer benefícios ao governo brasileiro.

Segundo auxiliares de Lula, a orientação é manter silêncio e aguardar os próximos desdobramentos. A leitura é de que as manifestações de Trump, ao questionar o resultado da votação e demonstrar apoio à entrada de Flávio nos Estados Unidos, acabam prolongando a controvérsia em torno da família Bolsonaro e da derrota eleitoral do senador.

Trump afirmou que considera a eleição brasileira “muito estranha” e voltou a questionar a legitimidade do resultado, sem apresentar provas de irregularidades. O republicano também declarou que aprova a ida de Flávio aos Estados Unidos e disse ter simpatia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador.

Lula foi reeleito no domingo (25), ao derrotar Flávio no segundo turno. O presidente norte-americano comentou o resultado na segunda-feira (26) e afirmou que gosta do petista, embora tenha levantado suspeitas sobre a votação. A posição foi interpretada pelo governo brasileiro como uma tentativa de manter aberta a possibilidade de diálogo entre os dois países, apesar das declarações sobre o processo eleitoral.

A recomendação dos auxiliares é que Lula não entre no embate político e evite transformar as falas de Trump em uma crise bilateral. Uma manifestação oficial do governo, do Itamaraty ou do próprio presidente não está descartada, mas dependeria de novos movimentos dos Estados Unidos, especialmente de algum questionamento institucional da vitória brasileira.

Entrada nos EUA

A viagem de Flávio Bolsonaro acrescentou um novo elemento à tensão. O senador entrou nos Estados Unidos utilizando passaporte diplomático, segundo registros públicos citados por reportagens. O documento havia sido alvo de uma determinação de cancelamento no Brasil, após decisão judicial que ordenou a entrega dos passaportes.

O Departamento de Estado norte-americano informou que vistos seriam concedidos ao senador, à mulher e às filhas. A entrada de Flávio no país e a manifestação de Trump sobre o caso provocaram questionamentos no meio político brasileiro, em meio à discussão sobre o tratamento dado pelas autoridades norte-americanas à família Bolsonaro.

Integrantes do governo avaliam, porém, que o episódio não deve impedir a retomada de uma relação pragmática com Washington. A estratégia seria separar as declarações políticas do presidente norte-americano dos canais diplomáticos e comerciais entre os dois países.

A cautela também considera o cenário político dos Estados Unidos, que terão eleições legislativas de meio de mandato em 3 de novembro. Auxiliares de Lula defendem que o governo brasileiro acompanhe os desdobramentos antes de decidir se haverá alguma resposta formal.

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