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Brasil Lula entrou com um recurso para reverter a decisão que retirou dele o direito às regalias como ex-presidente, incluindo seguranças, motoristas e assessores

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Juiz diz que o petista não precisa de seguranças porque está mais protegido do que nunca. (Foto: Banco de Dados/O Sul)

Nessa sexta-feira, a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) pela Operação Lava-Jato, protocolou um pedido de suspensão da decisão do juiz Haroldo Nader, da 6ª Vara Federal de Campinas (SP). Um dia antes, o magistrado determinou o cancelamento dos benefícios aos quais o líder petista tem como ex-chefe de Estado.

De acordo com a legislação atual, ex-mandatários do Brasil têm direito a segurança, motoristas e assessores após deixarem o comando do País. Conforme decisão de Nader, porém, o ex-presidente que governou o Brasil de 2003 a 2010 não tem mais as regalias. O juiz concluiu que, por estar sob proteção da PF (Polícia Federal), o petista “tem hoje muito mais segurança do que tivera quando livre”.

O ex-presidente está preso desde a noite de 7 de abril na Superintendência da PF na capital paranaense pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava-Jato. De acordo com o juiz Sérgio Moro, Lula recebeu um apartamento triplex do Guarujá (SP) como propina da OAS.

“Le Monde”

Em um artigo publicado pelo jornal francês “Le Monde”, Lula reafirmou a sua candidatura á Presidência da República. Ele explicou por qual motivo quer voltar a ser presidente do Brasil, além de relembrar sua trajetória política e voltar a confirmar que é inocente. O texto em versão em português foi divulgado na íntegra no site de Lula.

“Sou candidato a presidente do Brasil, nas eleições de outubro, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo”, começa o artigo, intitulado “Porque eu quero voltar a ser presidente”.

De acordo com Lula, ele é a aposta ideal para “devolver aos pobres e excluídos sua dignidade, a garantia de seus direitos e a esperança de uma vida melhor”. Ele também ironizou o baixa popularidade do presidente Michel Temer.
“Terminei os meus dois mandatos com 87% de aprovação popular. É o que o atual presidente do Brasil, que não foi eleito, tem de rejeição hoje”.

Sobrou também para o juiz Sérgio Moro. Segundo Lula, a decisão do magistrado em mandar prendê-lo foi “parcial e ignorou a letra expressa da constituição brasileira, além de ter o objetivo de tentar impedi-lo de disputar as eleições e fazer campanha para o Partido dos Trabalhadores”.

“Eu Lidero as pesquisas mesmo depois de ter sido preso em consequência de uma perseguição judicial que vasculhou a minha casa e dos meus filhos, minhas contas pessoais e do Instituto Lula, e não achou nenhuma prova ou crime contra mim”, reforçou o petista.

Condenado em segunda instância, o ex-presidente está enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Com isso, ele deve ser impedido de disputar a eleição deste ano, mesmo liderando as intenções de voto.

“Meus problemas são pequenos perto do que sofre a população brasileira. Para tirarem o PT do poder após as eleições de 2014, não hesitaram em sabotar a economia com decisões irresponsáveis no Congresso Nacional e uma campanha de desmoralização do governo na imprensa”, acusou o ex-presidente.

No artigo do jornal francês, Lula ainda ressaltou que “a pobreza tem aumentado, a fome voltou a rondar os lares e as portas das universidades estão voltando a se fechar para os filhos da classe trabalhadora. Os investimentos em pesquisa desabaram”.

O líder petista garantiu que não estava em seus planos se candidatar novamente, “mas diante do desastre que se abate sobre povo brasileiro”, sua “candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com o caminho de inclusão social, diálogo democrático, soberania nacional e crescimento econômico, para a construção de um país mais justo e solidário, que volte a ser uma referência no diálogo mundial em favor da paz e da cooperação entre os povos”.

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