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Política Lula muda estratégia de campanha e passa a confrontar diretamente Flávio Bolsonaro: “Quem vota em Flávio vota em Vorcaro”

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Nos últimos dias, o comando da campanha petista discutiu diferentes caminhos para tentar reverter o momento adverso enfrentado pelo presidente. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Em uma tentativa de tirar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) do centro da disputa eleitoral, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mudar sua estratégia e concentrar os ataques diretamente no candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A avaliação de integrantes da campanha petista é que o debate sobre o STF acabou ofuscando outro tema que o governo considera mais sensível para o adversário: a investigação em curso no Supremo sobre recursos solicitados por Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dentro da nova estratégia, o próprio Lula passará a fazer ataques diretos ao adversário, papel que, até agora, vinha sendo desempenhado principalmente por aliados e pela propaganda eleitoral.

Nesta semana, o presidente adotou esse tom em discursos e entrevistas. “Flávio, onde está o dinheiro da corrupção do Master?”, questionou Lula.

Ao mesmo tempo, redes sociais ligadas ao PT passaram a divulgar mensagens com o slogan “quem vota em Flávio vota em Vorcaro”, numa tentativa de associar o candidato do PL ao empresário investigado.

A iniciativa é uma resposta à estratégia dos apoiadores de Flávio Bolsonaro, que vêm difundindo a mensagem de que “quem vota em Lula vota em Moraes”, numa referência ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Debate interno

Nos últimos dias, o comando da campanha petista discutiu diferentes caminhos para tentar reverter o momento adverso enfrentado pelo presidente.

Uma das correntes defendia que Lula se distanciasse de Alexandre de Moraes diante da crise envolvendo o ministro.

Outra avaliava que o presidente deveria assumir pessoalmente o confronto com Flávio Bolsonaro e deslocar o foco da campanha para questionamentos envolvendo a investigação sobre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Prevaleceu a segunda estratégia.

Segundo integrantes da campanha, o erro dos últimos dias foi permitir que o debate eleitoral ficasse excessivamente concentrado na crise do STF, tema que, na avaliação deles, favorecia o candidato do PL ao reduzir a atenção sobre a investigação envolvendo os recursos destinados ao filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Assessores do presidente afirmam que aliados de Flávio Bolsonaro conseguiram impor uma pauta favorável ao senador desde as manifestações de Sete de Setembro.

Dentro desse diagnóstico, petistas atribuem parte desse movimento a decisões tomadas pelo ministro André Mendonça, integrante do STF indicado por Jair Bolsonaro.

Na avaliação de aliados de Lula, essas decisões contribuíram para ampliar a pressão sobre Alexandre de Moraes e acabaram beneficiando politicamente Flávio Bolsonaro.

André Mendonça, no entanto, rejeita qualquer atuação político-partidária e nega ter participado de articulações em favor de qualquer candidato.

Enquanto isso, segundo integrantes da campanha petista, Lula passou dias discutindo qual deveria ser sua posição pública em relação a Moraes.

O presidente acabou afirmando que, caso o ministro tenha cometido irregularidades, deverá responder por elas. Também declarou que integrantes do STF não podem utilizar o cargo para obter enriquecimento pessoal.

Para assessores presidenciais, porém, o debate acabou produzindo um efeito indesejado. Enquanto a campanha discutia Alexandre de Moraes, Flávio Bolsonaro deixava de ser o foco principal dos ataques adversários.

Por isso, a orientação agora é reposicionar o debate eleitoral. A ordem é reduzir o protagonismo da crise do STF na campanha e concentrar a artilharia diretamente sobre Flávio Bolsonaro, suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a investigação em curso no Supremo.

A expectativa dos petistas é conter o avanço do candidato do PL nas pesquisas de intenção de voto e recolocar esses temas no centro da disputa presidencial.

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