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Brasil Lula sugere que o ex-ministro Antonio Palocci tenta “jogar em cima de outros” os atos ilícitos que cometeu

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Palocci confessou, na semana passada, que participou do esquema de repasse de propinas da Odebrecht para Lula e citou um “pacto de sangue” de R$ 300 milhões para o ex-presidente e para o PT. (Foto: Reprodução)

A audiência de Lula durou mais de duas horas. O primeiro a questionar o ex-presidente foi o juiz Sérgio Moro. Em seguida, vieram o MPF (Ministério Público Federal) e as perguntas da defesa. Após o interrogatório do ex-presidente, Moro passou a ouvir Branislav Kontic, ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/governos Lula e Dilma).

Palocci

Em uma audiência com ataques duros ao MPF, o ex-presidente da República disse que é vítima de uma “caça às bruxas” e minimizou as revelações feitas pelo ex-ministro Antonio Palocci.

O petista confessou nesse processo, na última quinta-feira (6), que participou do esquema de repasse de propinas da Odebrecht para Lula e citou um “pacto de sangue” de R$ 300 milhões para o ex-presidente e para o PT.

Segundo Lula, ele tem tido paciência. “Muita gente achou que eu ia chegar aqui com muita raiva do Palocci. Eu achei que Palocci está preso há mais de um ano, o Palocci tem o direito de querer ser livre, tem o direito de ficar com o pouco de dinheiro que ele ganhou fazendo palestras.”

O ex-presidente disse que “o que não pode, é se você não quer assumir as responsabilidades pelos atos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros”.

“Eu fiquei muito preocupado com a delação do Palocci, porque ele poderia ter falado eu fiz isso de errado, e fiz isso. Ele espertamente disse ‘não é que eu sou santo’ e pau no Lula”, afirmou o ex-presidente ao juiz Sérgio Moro.

Réu

Lula é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a empreiteira e a Petrobras. Segundo o MPF os repasses ilícitos da Odebrecht chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal.

O montante, segundo a força-tarefa da Operação Lava-Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.

Além do ex-presidente e de Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci, também respondem ao processo o próprio ex-ministro, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula – que será interrogado na próxima quarta-feira (20) -, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Condenação

Lula já foi condenado na Lava-Jato. Em julho, Sérgio Moro aplicou uma pena de nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao petista no caso triplex.

Há ainda, sob a tutela da Lava-Jato no Paraná uma terceira ação penal. O ex-presidente é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em obras do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo. Este processo poderá colocar Lula e Moro frente a frente pela terceira vez na Lava-Jato. (AE)

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