Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de janeiro de 2026
O casal foi formalmente acusado nos EUA de narcoterrorismo e outros crimes
Foto: Reprodução/XA secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou nesse sábado (3), que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “em breve enfrentará a força total da Justiça americana, em solo americano e em tribunal americano”, após ser “capturado” durante operação americana.
Em publicação nas redes sociais, Bondi citou a acusação contra Maduro, indiciado pelo Distrito Sul de Nova York em 2020 por crimes de “Conspiração para o Narcoterrorismo, Conspiração para Importação de Cocaína, Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos e Conspiração para Possuir Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos contra os Estados Unidos”.
Na época, ainda durante o primeiro mandato de Donald Trump, o Departamento de Justiça acusou, em diversas denúncias, Maduro de ter transformado a Venezuela em uma organização criminosa a serviço de narcotraficantes e grupos terroristas, enquanto ele e seus aliados desviavam bilhões do país sul-americano.
A divulgação coordenada das denúncias contra 14 autoridades e indivíduos ligados ao governo, e as recompensas de US$ 55 milhões por Maduro e outros quatro, atacaram todos os pilares do que o então secretário de Justiça William Barr chamou de “regime venezuelano corrupto”, incluindo o judiciário dominado por Maduro e as poderosas forças armadas.
Uma das denúncias, apresentada por promotores de Nova York, acusava Maduro e o líder do partido socialista Diosdado Cabello, chefe da assembleia constituinte, de conspirarem com rebeldes colombianos e membros das forças armadas “para inundar os Estados Unidos com cocaína” e usar o narcotráfico como uma “arma contra os Estados Unidos”.
Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, anunciou ataques de “grande escala” e que o líder venezuelano e sua esposa foram “capturados” e retirados do país.
Segundo a agência de notícias Associated Press, a base legal para o ataque à Venezuela não é clara. A ação militar americana evoca a invasão dos Estados Unidos ao Panamá, que levou à rendição e captura de seu líder, Manuel Antonio Noriega, em 1990.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesse sábado, que Caracas não sabe o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Em pronunciamento à rede pública VTV, Rodríguez exigiu “prova de vida imediata do governo do presidente Donald Trump sobre as vidas do presidente Maduro e da primeira-dama”.
Também nas redes sociais, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Maduro é acusado de “traficar drogas nos Estados Unidos.
“Maduro NÃO é o Presidente da Venezuela e seu regime não é o governo legítimo. Maduro é o chefe do Cartel de Los Soles, uma organização narcoterrorista que assumiu o controle do país. E ele está sob acusação por tráfico de drogas nos Estados Unidos”, disse.
Em comunicado, o governo da Venezuela instou os cidadãos a se levantarem contra o ataque e afirmou que Washington corre o risco de afundar a América Latina no caos com um ato “extremamente grave” de “agressão militar”. “Todo o país deve se mobilizar para derrotar essa agressão imperialista”, disse o regime.
“Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, junto com sua esposa, foi capturado e retirado do país por via aérea”, escreveu Trump na rede Truth Social.
Em uma curta entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que a operação foi “brilhante”: “Planejamento bem-feito e tropas e pessoas excelentes, excelentes”, disse Trump. “Foi uma operação brilhante, na verdade.”
Escalada
No final de outubro, Trump revelou que havia autorizado a CIA a conduzir operações secretas dentro da Venezuela, aumentando as especulações em Caracas de que Washington queria derrubar Nicolás Maduro. Fontes próximas à Casa Branca afirmam que o Pentágono apresentou a Trump diferentes opções, incluindo ataques a instalações militares venezuelanas como pistas de pouso sob a justificativa de vínculos entre setores das Forças Armadas e o narcotráfico.
Os EUA acusam Maduro de liderar o Cartel de los Soles – designado como organização terrorista estrangeira em novembro e oferecem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do chefe do regime chavista. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também foi acusado por Trump de ser “líder do tráfico de drogas” e “bandido”. Em paralelo, intensificam-se os ataques a barcos de Organizações Terroristas Designadas, como define o governo americano, no Caribe e no Pacífico. Ao menos 83 tripulantes foram mortos.
Em novembro, militares americanos de alto escalão apresentaram opções de operações contra Caracas a Trump. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, e outros oficiais entregaram planos atualizados, que incluíam ataques por terra. Segundo a emissora CBS News, a comunidade de Inteligência dos EUA contribuiu com o fornecimento de informações para as possíveis ofensivas na Venezuela, que variam em intensidade. (Com informações da revista Veja)